21 de novembro, 2006 - 11h19 GMT (09h19 Brasília)
A Índia e a China prometeram dobrar o comércio bilateral entre os dois países até 2010. O anúncio foi feito durante a visita do presidente da China, Hu Jintao, à Índia.
O volume atual de comércio entre os dois países é de US$ 20 bilhões, após um crescimento importante na última década. No início dos anos 1990, esse comércio era de apenas US$ 250 milhões.
Hu e o primeiro-ministro indiano, Manmohan Sing, assinaram uma série de acordos econômicos no primeiro dia da visita do presidente chinês a Nova Délhi.
Esta é a primeira visita à Índia de um presidente chinês em dez anos.
Segundo Singh, a Índia pretende exportar seus serviços de tecnologia para a China, e os chineses esperam aumentar as exportações de seus produtos manufaturados para o vizinho.
Aproximação
Os acordos marcam uma melhoria nas relações entre a Índia e a China.
Após quatro décadas de hostilidades, os líderes indianos e chineses concordaram em acelerar a resolução de suas disputas fronteiriças.
Os dois países também dizem que vão buscar formas de desenvolver conjuntamente tecnologia nuclear para usos civis.
A Índia e a China são as duas economias que mais crescem atualmente no mundo e têm sido fortes rivais, especialmente na disputa pelas reservas mundiais de petróleo e gás para atender às suas crescentes demandas internas.
Os encontros desta terça-feira estabelecem planos para um maior intercâmbio entre os dois países mais populosos do mundo e que poderiam levar, segundo alguns analistas, a uma aliança entre os dois gigantes asiáticos.
Os interesses mútuos dos dois países são freqüentemente prejudicados pela política, já que tanto a China quanto a Índia têm ambições de se tornar uma superpotência regional.
Polêmica antiga
Recentemente, o embaixador chinês na Índia trouxe novamente à tona uma antiga polêmica sobre a fronteira com o Estado indiano de Arunachal Pradesh, dizendo que ele era parte do território da China.
O ministro das Relações Exteriores da Índia, Pranab Mukherjee criticou a declaração, reafirmando que Arunachal Pradesh é “parte integral da Índia”.
A disputa sobre a região vem desde um conflito militar entre os dois países em 1962. A guerra terminou com uma vitória incontestável da China, num evento visto por muitos na Índia como traumático.
A Índia também reivindica soberania sobre os 38 mil quilômetros quadrados da região de Aksai Chin, administrada pela China ao norte da Caxemira.
O governo indiano mantém ainda reservas sobre as relações da China com seu rival Paquistão, para onde Hu deve seguir após sua visita à Índia.
Acordo nuclear
A China, por sua vez, está preocupada com os crescentes laços de Nova Délhi com os Estados Unidos, especialmente sobre o acordo nuclear entre os dois que permite à Índia ter acesso a tecnologia nuclear para fins civis.
Além disso, o governo tibetano no exílio, liderado pelo Dalai Lama, é abrigado pela Índia em Dharamsala, no noroeste do país. O Tibete, que reivindica independência, é considerado pela China parte indivisível de seu território.
Tanto a Índia quanto a China vêm produzindo um crescimento econômico impressionante nos últimos anos, mas a Índia continua atrás do vizinho em muitos aspectos.
A China tem uma taxa de alfabetização de 95%, comparada com apenas 68% na Índia. As exportações de produtos manufaturados na Índia atingiram US$ 71 bilhões no último ano, contra US$ 713 bilhões da China.