15 de novembro, 2006 - 10h13 GMT (08h13 Brasília)
Laura Trevelyan
De Nova York
O Irã, a Síria e outros oito países estão violando um embargo das Nações Unidas ao envio de armas para a Somália, segundo um relatório encomendado pela ONU.
O documento diz que os governos em Teerã e Damasco mantêm vínculos com a União de Cortes Islâmicas, a milícia que controla grande parte do país.
A Somália não tem um governo formal há mais de 15 anos.
Preparado por especialistas que monitoram o embargo, o relatório sugere que o Irã pode ter tentado trocar armas por urânio para avançar com suas ambições nucleares.
Muitos dos países citados no documento negam as acusações.
Etiópia e Eritréia
Entre os demais países relacionados pelo relatório, a Etiópia e a Eritréia são citados como os maiores violadores do embargo.
A Etiópia é acusada de enviar armas ao frágil governo somali, enquanto a Eritréia estaria apoiando a oposição islâmica.
O que é mais impressionante sobre o relatório são os dados detalhados sobre as ligações de países como o Irã, a Síria e o Líbano com a União das Cortes Islâmicas.
Os autores dizem, por exemplo, que 720 milicianos somalis viajaram ao Líbano para ajudar o Hezbollah a lutar contra Israel durante os conflitos de julho.
A Síria teria enviado uma aeronave cheia de armas para a capital da Somália, Mogadíscio.
O Irã teria enviado carregamentos de armas para a Somália entre julho e setembro.
E um parágrafo do relatório diz que dois iranianos na Somália estão tentando conseguir urânio em troca do envio de armas.
O Irã quer urânio para seu programa nuclear, o qual insiste ser pacífico, enquanto países ocidentais temem que o país esteja buscando desenvolver uma bomba nuclear.
O Conselho de Segurança da ONU deve discutir as conclusões do relatório sobre o embargo na semana que vem.