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13 de novembro, 2006 - 20h23 GMT (18h23 Brasília)

Paulo Cabral
Enviado especial a Nairóbi

Brasil fica em 8º em ranking sobre mudanças do clima

O Brasil ficou em oitavo lugar num ranking de 56 países que mede o desempenho deles em relação aos desafios das mudanças climáticas.

O ranking, organizado pela entidade alemã Germanwatch e pelo grupo de ONGs Rede de Ação sobre o Clima – Europa (CAN-E, na sigla em inglês), foi divulgado nesta segunda-feira em Nairóbi, no Quênia, durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas.

Brasil subiu uma posição em relação ao ranking do ano passado, o único que havia sido feito até então. No entanto, a comparação entre as posições no ranking pode ser enganosa, porque o número de países avaliados aumentou de 53 para 56 entre um ano e outro.

O desempenho do Brasil é irregular entre as áreas abordadas na composição do ranking. O país foi muito bem avaliado no critério de emissões de gases do efeito estufa: o Brasil produz relativamente pouco deles porque tem uma base energética limpa (principalmente hidrelétricas) e a tendência é de pouco aumento no futuro.

Por outro lado, o país ficou entre os cinco países com políticas públicas apontadas como mais negativas pela entidade em relação às mudanças climáticas.

Como as políticas públicas têm um peso de apenas 20% no cômputo geral do ranking, o Brasil conseguiu manter sua posição entre os dez países com melhor desempenho, embora ficando atrás, por exemplo, da Argentina (7º lugar) - que emite relativamente mais gases do que o Brasil, mas tem políticas públicas consideradas mais positivas.

“Na área de políticas públicas, tanto em questões domésticas como nas negociações internacionais, o Brasil poderia estar bem melhor se fosse uma força mais progressista em relação às negociações de mudanças climáticas. Podemos dizer que é basicamente culpa do governo brasileiro que o país não esteja bem nesta avaliação”, disse diretor da CAN-E, Matthias Duwe.

Brasil

A delegação brasileira em Nairóbi não quis comentar o ranking divulgado pelas ONGs.

O Brasil já havia sido criticado na semana passada por ser – na visão de muitas organizações internacionais – um dos países que não querem a revisão do Artigo 9 do Tratado de Kyoto, para estabelecer metas de cortes de emissão de gás carbônico para depois de 2012.

Na sexta-feira o Brasil ganhou, por conta desta controvérsia, o “prêmio Fóssil do Dia”, concedido diariamente ao país considerado como o de atuação mais negativa nas atividades da conferência.

Mas o chefe da delegação brasileira em Nairóbi, Luiz Alberto Figueiredo, diz que as ONGs que concederam o “prêmio” entenderam mal a posição do Brasil, que na verdade aceitaria discutir futuro mas sem admitir a reabertura de qualquer decisão já estabelecida no protocolo de Kyoto.

“Explicamos essa posição para as ONGs (que concedem o Fóssil do Dia) e esperamos que eles tenham entendido. A questão é que o Brasil defende a estratégia de negociações adotada no ano passado em Montreal e não queremos mudanças de última hora”, disse o diplomata.

Outra coisa que incomoda as ONGs é a recusa do Brasil em estabelecer qualquer tipo de meta a ser cumprida pelos país, seja em relação a emissões de gases do efeito estufa, seja em relação a temas como o desmatamento.

Florestas

O diretor-executivo da German Wacth, Christopher Balls, diz que a redução no desmatamento no Brasil não teve impactos positivos no ranking preparado pela entidade porque não foi algo decorrente de políticas públicas, mas apenas de desaquecimento na atividade econômica.

“Se o Brasil instituir uma política que efetivamente reduza o desmatamento isso sim teria impactos positivos na classificação do país”, diz ele.

No topo do ranking deste ano ficou a Suécia, seguida da Grã-Bretanha e da Dinamarca. Os países com pior desempenho foram a Arábia Saudita, a Malásia, a China e os Estados Unidos.

“Mas é importante explicar que este é um ranking comparativo, mostrando que países estão melhor e quais estão pior mas ninguém está tão bem. Se fosse uma competição, nenhum desses países ganharia a medalha de ouro”, disse Matthias Duwe.