10 de novembro, 2006 - 11h40 GMT (09h40 Brasília)
Jornais americanos e britânicos apontaram nesta sexta-feira a insatisfação do eleitorado latino como uma das causas da derrota dos republicanos nas eleições de terça-feira nos EUA.
O Los Angeles Times diz que "as tentativas republicanas de usar a imigração como uma questão para atrair eleitores conservadores tiveram o efeito indesejado de incitar mais latinos a votarem".
O jornal se refere ao descontentamento dos imigrantes em relação ao projeto de construção de uma barreira na fronteira entre México e Estados Unidos e a adoção de punições a imigrantes ilegais.
Segundo o LA Times, "grupos latinos e de defesa dos direitos dos imigrantes prometeram seguir os enormes protestos no início do ano com campanhas para registrar eleitores e mobilizá-los a rejeitaram candidatos antiimigração".
A derrota republicana é vista pelo jornal como prova de que "a comunidade cumpriu sua vasta promessa política".
Na Grã-Bretanha, o The Independent afirma que "de todos os desastres que os republicanos enfrentaram nas eleições, talvez o mais impressionante seja a forma como o partido alienou a parcela da população que mais cresce - os eleitores latinos".
"Quase 70 por cento dos eleitores latinos votaram nos democratas, de acordo com estimativas das pesquisas de boca-de-urna, instigados pela raiva contra a posição extremista que vários legisladores republicanos adotaram em relação à imigração e pelo número desproporcional de homens e mulheres latinos lutando e morrendo no Iraque."
Estrela
Ainda na Grã-Bretanha, a revista semanal The Economist traz um perfil de Manuel Rosales, o candidato de oposição ao presidente venezuelano Hugo Chávez para as eleições presidenciais de dezembro.
"Finalmente a oposição a Hugo Chávez encontra uma estrela própria", diz a revista.
"Com o aprofundamento do descontentamento social e a queda nos preços do petróleo, a 'revolução' de Chávez deverá enfrentar problemas".
Segundo a Economist, Rosales concentrou sua campanha "na luta contra a criminalidade crescente, a falta de moradia e o desemprego dentro do país".
"Pode o presidente ser derrotado? Provavelmente não", diz a revista. "Mas Rosales deu alguns golpes."
Acidente"
Em Israel, o jornal Haaretz repercute a declaração do governo israelense de que o ataque que matou 18 civis palestinos foi causado por falha técnica das forças armadas.
O jornal traz um artigo assinado intitulado "Um acidente chamado Olmert", afirmando que "o acidente real, de uma perspectiva histórica, é que o país foi arrastado para uma guerra em duas frentes por um primeiro-ministro e um ministro da Defesa desprovidos de conhecimento militar".
O artigo diz que o primeiro-ministro Ehud Olmert, "que sabe mais sobre o mercado imobiliário do que sobre estratégia militar", e o ministro da Defesa, Amir Peretz, "deram sinal verde para manobras militares confusas".
"Na ausência de um líder capaz de negociar com os palestinos, o que precisamos agora é de um governo de emergência e de uma reforma no quadro ministerial."
"Esse país está cansado de jogar jogos de guerra e ser alvo de ódio fervoroso. Nós precisamos de uma agenda de paz", conclui o artigo do Haaretz.