09 de novembro, 2006 - 08h16 GMT (06h16 Brasília)
Macacos me mordam se eu insultei o café brasileiro. Minha intenção era fazer uma crítica construtiva depois de assistir ao documentário inglês Black Gold, sobre o café nosso de cada dia.
O foco do documentário é a Etiópia, berço da bebida, e mostra como um miserável cafeicultor recebe 23 centavos por um quilo de café que, depois de seis intermediários é servido na Starbucks e em outras casas de café por 230 dólares (1 kg dá 80 xícaras).
Depois da sessão, os irmãos Marc e Nick Francis, diretores do documentário, se dispuseram a conversar com o público.
Quando perguntei sobre o café brasileiro, responderam que não estavam bem informados, mas outros presentes explicaram que a maior parte do nosso café é do tipo robusta, de qualidade e sabor inferiores.
Não só coloquei o documentário no nosso programa semanal de televisão Manhattan Connection como repeti quase todas as asneiras que ouvi no cinema sobre o café brasileiro.
E tive companhia. Caio Blinder e Diogo Mainardi, ambos movidos a cafeína, não só ouviram minhas besteiras como acrescentaram outras, tais como o café colombiano e o jamaicano são melhores do mundo.
Apaixonados por café
Não sabia que nossa audiência tinha tantos apaixonados por café. Os e-mails chegaram fervendo.
Alexandre Frossard, presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais, informa que o café mais caro já negociado até hoje foi brasileiro, em janeiro deste ano.
Especialistas em qualidade de café de 17 países atribuíram a este específico café a maior nota em 23 eventos, todos usando a mesma metodologia em 8 países diferentes.
Pelo documentário, o café campeão do mundo vem da Etiópia.
Fernando, de Manhuaçu, informa que o Brasil produz 37 milhões de sacas por ano, 28 milhões delas são de Arábica e 9 milhões de robusta e que é incorreto afirmar que todo tipo robusta é inferior. Graças à nova tecnologia há excelentes robustas.
Fernando diz que 40% do café produzido no Brasil é arábica, de qualidade excepcional, o que torna o Brasil o maior produtor de cafés finos do planeta, com a Colômbia num distante segundo lugar, com 10 milhões de sacas.
Será verdade? Estou repetindo o que me disseram, como aconteceu no programa.
Café do patrão
Gostaria de comprar este café brasileiro mas nas estantes americanas os grãos nobres à venda são do Quênia, Guatemala, Colômbia e Etiópia.
Não só recebi e-mails críticos como telefonemas de amigos. Um deles me contou que quem produz um dos melhores cafés do Brasil é o Roberto Irineu Marinho.
- Aquele Roberto Irineu? O dono da televisão onde está nosso programa? Nosso patrão? O homem que assina o cheque?
- O próprio.
Putz! Se ele assiste à televisão dele, macacos REALMENTE me mordam.