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09 de novembro, 2006 - 09h42 GMT (07h42 Brasília)

Caio Blinder
De Nova York

Bush enfrenta derrotas com pouco capital político

George W. Bush emergiu da sua reeleição em novembro de 2004 anunciando que pretendia gastar o capital político que tinha acumulado.

Mas, como no caso da expansão dos gastos públicos que exasperou os conservadores fiscais, o presidente se revelou incompetente para gerir os seus recursos.

Ele chega à metade do seu segundo e último mandato com sérios problemas de caixa político e precisando se desfazer do seu patrimônio.

A perspectiva para o presidente é deixar um legado minguado quando retornar ao rancho do Texas em janeiro de 2009.

Livrar-se do secretário de Defesa Donald Rumsfeld foi a parte mais fácil. Desaparece um alvo que se tornara uma obsessão dos críticos de Bush.

O arquiteto da desastrosa guerra do Iraque se tornara um símbolo da arrogante ineficácia do governo ou do seu estado de negação, como diz o título do best-seller de Bob Woodward.

A remoção de Rumsfeld apazigua amplos setores militares, da oposição democrata e dentro do próprio Partido Republicano.

O lance traz outras vantagens. Mostra uma certa flexibilidade do presidente que teimosamente insistia em manter o curso no Iraque até um limite intolerável.

Insatisfação

Com menos recursos políticos, o presidente simplesmente não pode manter o curso. Ainda não sabemos como isto irá acontecer em termos práticos no Iraque, mas a troca de guarda no Pentágono mostra algumas coisas interessantes.

Bush fez o que a oposição democrata queria, mas Nancy Pelosi (que será a nova presidente da Câmara) torna-se uma parceira da Casa Branca e passa a assumir responsabilidades pelos rumos do Iraque.

Até agora a oposição estava na condição cômoda de criticar, esquivando-se de formular um plano coerente e alternativo para o Iraque.

Carente de recursos e precisando sinalizar que reconhece a existência de uma nova realidade, o presidente selecionou alguém fora de sua base para dirigir o Pentágono.

Mais do que isto, o indicado Robert Gates pertence ao círculo do primeiro presidente Bush (pai do atual), que professa o "realismo" em política internacional e que simplesmente ficou consternado com o aventureirismo dos neoconservadores encarregados de colocar em prática a doutrina Bush.

Grupo bipartidário

Também é interessante que Gates esteja vinculado ao grupo bipartidário chefiado pelo ex-secretário de Estado James Baker (peça-chave do esquema do primeiro presidente Bush) e o ex-deputado democrata Lee Hamilton e que foi formado para oferecer recomendações sobre o Iraque.

O relatório deste grupo, ainda sem data definida para ser anunciado, poderá dar legitimidade para uma mudança de curso no Iraque e no Oriente Médio em geral.

Entre as possíveis recomendações estão um calendário para a retirada gradual de tropas americanas no Iraque e o aliciamento de inimigos dos EUA, como o Irã, para participarem dos esforços para conter a violência sectária.

No exterior e em Washington, Bush é um presidente com menos capital político. Ele precisa de parcerias.

É um cenário bem diferente daquele que foi delineado por Bush quando ele chegou ao poder há seis anos.

Com seu guru eleitoral Karl Rove, o projeto era forjar uma duradoura hegemonia republicana. Já com o vice-presidente Dick Cheney, o plano era restaurar uma Presidência imperial.

Com cada vez menos capital político, já será um grande feito para Bush não chegar falido ao final do seu segundo e último mandato.