07 de novembro, 2006 - 21h31 GMT (19h31 Brasília)
O primeiro-ministro do Iraque, Nouri Maliki, afirmou em entrevista à BBC que espera que o ex-líder iraquiano Saddam Hussein seja executado até o fim deste ano.
Durante a entrevista, em Bagdá, Maliki disse que a decisão de enforcar o ex-presidente do Iraque não será afetada por nenhum tipo de pressão.
"Nós gostaríamos que o mundo inteiro respeitasse a vontade judicial do Iraque", declarou o primeiro-ministro.
Saddam foi sentenciado à morte no domingo, após ser condenado pela acusação de crimes contra a humanidade.
Insurgência
Na entrevista à BBC, o primeiro-ministro iraquiano disse ainda que dentro de alguns meses o Exército do Iraque estará pronto para assumir o papel principal no combate à insurgência que existe no país.
A previsão de Maliki deve ser recebida com ceticismo por importantes militares americanos, que já deram sinais de que as forças iraquianas terão dificuldades para enfrentar os insurgentes.
Ao avaliar a ocupação do Iraque por tropas americanas e britânicas, o primeiro-ministro revelou uma postura crítica.
"Quando as forças de Estados Unidos e Grã-Bretanha se preparavam para entrar no Iraque, pensávamos que teriam uma compreensão clara do Iraque, do ponto de vista social, político e da segurança", disse Maliki.
"Mas não houve um planejamento adequado para o período após a mudança de regime. Os líderes em campo não tinham conhecimento sobre a situação no Iraque", acrescentou o primeiro-ministro.
Os comentários de Maliki representam uma das mais claras críticas de um líder iraquiano à ocupação do país e refletem a frustração de autoridades locais.
Depois de ser condenado à morte no domingo, Saddam Hussein voltou a aparecer diante do tribunal iraquiano nesta terça para um novo julgamento, em que enfrenta diferentes acusações e também está sujeito à pena de morte.