http://www.bbcbrasil.com

02 de novembro, 2006 - 21h32 GMT (18h32 Brasília)

América Latina terá crescimento 'vigoroso' em 2006, diz FMI

Os países da América Latina devem ter um crescimento do PIB “vigoroso” em 2006, superando as marcas de 2005 e tendo, junto com o ano que vem, o melhor triênio em termos de crescimento desde a década de 1970, diz o FMI (Fundo Monetário Internacional).

No relatório Panorama Econômico do Hemisfério Ocidental, o
Fundo aponta um crescimento 4,7% do PIB da região neste ano, enquanto em 2005 o crescimento foi de 4,25%, ressaltando que os bons resultados ocorreram em um cenário internacional positivo.

Para o ano que vem, o FMI também faz a previsão de um de crescimento de 4,25%.

Segundo a entidade, o contínuo crescimento econômico ocorreu devido a uma forte demanda global por commodities da região, embora os ganhos criados com isso tenham sido distribuídos desigualmente no continente.

A expansão do consumo interno também teve um papel relevante no crescimento e deve chegar a responder por mais de dois terços do crescimento do continente em 2007, “inflada pelo aumento dos investimentos públicos em diversos países”, diz o texto.

Inflação

O FMI aponta para bons resultados na América Latina também em relação à inflação, que se manteve sob controle. A média deve ficar em torno de 5% em 2007.

Além da inflação, a América Latina também apresentou resultados bons no que diz respeito aos seus fundamentos econômicos, com contas externas e saldos fiscais primários positivos, taxas de câmbio flexíveis e com os países tendo a dívida pública bem estruturada.

“(…) Ocorreram melhorias nos mercados domésticos, deram novas alternativas aos investidores”, diz o relatório, citando emissões de títulos pelos governos do Brasil, México e Peru.

No cenário positivo que o FMI delineia, há também alguns riscos. A desaceleração da economia americana, “que poderia provocar um enrijecimento dos mercados financeiros globais”, é um desses obstáculos, assim como a possibilidade de estagnação das negociações na Organização Mundial do Comércio para liberalização do comércio.

O tamanho da dívida pública dos países da América Latina e a dificuldade que ainda têm de fazer mudanças em seus orçamentos suscitam preocupações, assim como o ritmo do aumento de gastos dos governos.

Entre os caminhos apontados pelo estudo para solucionar os problemas estão a realização de reformas fiscais que deixem a política tributária mais justa, a concentração de gastos públicos em programas sociais e melhorias no mercado de trabalho.