30 de outubro, 2006 - 20h04 GMT (17h04 Brasília)
Iracema Sodré
De Londres
O Brasil mostrou avanços significativos no combate à fome e registrou uma redução do número de pessoas desnutridas de 18,5 milhões em 1990-1992 para 14,4 milhões em 2001-2003, de acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira pela FAO, a agência das Nações Unidas para a alimentação
Os números do estudo indicam que a parcela da população brasileira que é vítima da desnutrição caiu de 12% para 8% nos períodos pesquisados.
Para o economista sênior da FAO, Kostas Stamoulis, o sucesso do país se deve a uma combinação de duas estratégias: um modelo de crescimento econômico que reduz a desigualdade e a criação de programas sociais de distribuição de renda para os que não conseguem se inserir na economia.
"Países muito dependentes da agricultura sempre estão vulneráveis a choques, mas tenho uma posição otimista em relação ao Brasil. Programas como o Fome Zero e o Bolsa Família são iniciativas que ainda devem refletir positivamente nos números futuros", diz Stamoulis.
Direção certa
Há dez anos, a Cúpula Mundial de Alimentação estabeleceu a ambiciosa meta de cortar pela metade o número de famintos até 2015, na época estimado em 800 milhões.
O relatório da FAO divulgado nesta segunda-feira afirma, no entanto, que houve pouco progresso na redução da fome no mundo nos últimos anos.
O Brasil está no grupo de países latino-americanos que estão caminhando na direção certa, segundo a FAO, mas no continente há exemplos ainda mais bem sucedidos. Cuba, Guiana e Peru, por exemplo, já atingiram ou ultrapassaram as metas estabelecidas na Cúpula de 1996.
"Enquanto alguns países na América Latina têm características semelhantes a de economias desenvolvidas, outros ainda precisam avançar muito. A desigualdade impede o acesso a recursos. Quando este problema é resolvido, tudo funciona melhor", afirma Kostas Stamoulis.