23 de outubro, 2006 - 18h20 GMT (15h20 Brasília)
Caio Blinder
De Nova York
Barack quem? Esta é uma pergunta cada vez menos freqüente nos Estados Unidos.
Barack Obama é a estrela em ascensão na política americana. Nem ele resiste ao seu appeal meteórico.
No fim-de-semana, em entrevista à televisão, o senador democrata pelo Estado de Illinois voltou atrás da promessa de não concorrer à Presidência em 2008 antes de terminar seu primeiro mandato no Senado dentro de quatro anos.
Ele admitiu que vai tomar uma decisão sobre a maratona presidencial após as eleições no Congresso no próximo dia sete. Sábia decisão.
Caso os republicanos percam o controle da Câmara e do Senado, os postulantes democratas em 2008 terão fôlego redobrado.
Barack Obama hoje é prisioneiro de expectativas excessivas. A promoção do seu novo livro A Audácia da Esperança é o pretexto para alta visibilidade na imprensa, inclusive nas revistas de moda, o que levou a venenosa colunista do jornal The New York Times, Maureen Dowd, a escrever que Obama deveria deixar de ser modelo e arrumar um emprego honesto, tipo concorrer à Presidência.
História hollywoodiana
Com apenas 45 anos, Obama é a estrela que ainda carece de um centro de gravidade.
Sua resposta à observação de que tem uma experiência limitada para dirigir a única superpotência do planeta é que alguém só fica maduro para ser presidente quando está presidente.
Por ora, Barack Obama é o que qualquer um queira que ele seja. No geral, é visto como um moderado pragmático, capaz de forjar consenso.
Seu capital inclui glamour, um fino intelecto e um modo gentil de fazer política num ambiente selvagem.
Ele transcende rótulos ideológicos, raciais e regionais com uma história pessoal hollywoodiana.
Barack Obama é produto do multiculturalismo, filho de mãe branca do Estado do Kansas (no coração dos EUA) e pai negro do Quênia (no coração da África). Na sua vida conheceu privação e privilégio. Estudou em Harvard e foi ativista nas ruas de Chicago.
O currículo pessoal é o forte de Barack Obama, que naturalmente é associado a John Kennedy, o jovem senador que concorreu à presidência em 1960 com seu carisma e o recado de que chegara a hora de um nova geração assumir o poder.
Por que não esperar um pouco mais para dar este recado? O perigo é que Barack Obama deixe escapar o seu momento e que as altas expectativas desabem.
Em termos concretos, ele não iniciou as preparações mundanas para concorrer à Presidência, como arrecadação de fundos e uma sólida organização.
Obama X Hillary
Tudo para ele ainda é incipiente, mas a opinião geral é de que caso Obama decida concorrer, só haverá espaço para ele e Hillary Clinton na disputa entre os postulantes democratas.
A ex-primeira dama, que ainda não formalizou sua candidatura, tem uma dança ardilosa com o jovem senador. É, ao mesmo tempo, mentora e rival.
Muitos estrategistas democratas estimulam o avanço de Barack Obama com o cálculo de que o partido precisa de um candidato anti-Hillary para a guerra de 2008, ou seja, alguém que não polarize o país como é o caso da mulher de Bill Clinton.
O comentário em Washington é que o ex-presidente, um lendário estrategista político, teria vazado que caso Obama và à luta, Hillary ficaria de fora.
Nada disso, evidentemente, pode ser confirmado. Com mais clareza é possível afirmar que somente Barack Obama pode segurar o fenômeno Barack Obama.