19 de outubro, 2006 - 16h41 GMT (13h41 Brasília)
Autoridades britânicas que trabalham no combate ao terrorismo afirmaram à BBC que a Al-Qaeda ficou mais organizada e sofisticada e transformou o país em seu principal alvo.
Fontes da área de segurança afirmam que a situação nunca foi tão ruim, disse a correspondente de política interna da BBC, Margaret Gilmore.
As autoridades acreditam que a rede está atualmente operando uma estrutura de células na Grã-Bretanha - semelhante à que foi usada pelo grupo irlandês IRA - e acredita que os ataques ao sistema de transporte de Londres no dia 7 de julho de 2005 "eram apenas o começo".
Cada célula tem um líder, um oficial responsável por obter armas e voluntários. Segundo Gilmore, cada célula trabalha em planos separados e diferentes, com outra pessoa planejando e controlando várias células diferentes.
Os envolvidos com as células sabiam que estavam sendo seguidos e, por isso, se reuniam em locais públicos. O treinamento estaria ocorrendo na Grã-Bretanha e Paquistão.
Cinco anos
Há cinco anos acreditava-se que a Al-Qaeda tinha um número de "organizações com pouca conexão" e objetivos comuns. Mas agora a rede estaria mais organizada, disse Gilmore.
Autoridades de segurança temem que o grupo tenha como alvo universidades e estão "menos preocupados" com mesquitas, afirmou a correspondente.
Para recrutamento, a rede tem como alvo jovens no final da adolescência e de vinte e poucos anos, segundo Gilmore.
"Eles estabelecem grupos parecidos com os escoteiros, totalmente legítimos. Os que se mostram particularmente interessados, começam a receber doutrinação religiosa. Os que se mostram realmente interessados, começam a ser introduzidos aos ensinos políticos e à retórica anti-ocidental", disse a correspondente.
"E aqueles que ainda demonstram um interesse maior, começam a receber treinamento técnico. As organizações também começam enviar estes para sessões que desenvolvem a união, em esportes como canoagem", afirmou.
"Então você acaba com uma pequena equipe de pessoas - a célula é preparada. Muito disso acontece fora de Londres", acrescentou Gilmore.
Escritórios regionais do serviço secreto britânico, MI5, que reúnem informações secretas, e polícias antiterrorismo foram estabelecidos em Manchester, Birmingham e Sheffield.
O correspondente do setor de segurança da BBC, Gordon Corera, afirmou que a visão de que a Grã-Bretanha é particularmente vulnerável existe pois "pode ser mais fácil para a Al-Qaeda atacar a Grã-Bretanha do que outros alvos".
Ele acrescentou que esta visão é baseada "em atividades que realmente estão sendo observadas. Planos que estão sendo frustrados, julgamentos que podem ocorrer em breve".