13 de outubro, 2006 - 17h04 GMT (14h04 Brasília)
O conceito por trás do microcrédito, que rendeu ao bengalês Muhammad Yunus o prêmio Nobel da Paz deste ano, é o de dar empréstimos para pessoas pobres em países em desenvolvimento.
O valor desses empréstimos pode ser bem pequeno, a partir de cerca de R$ 100, mas eles oferecem a perspectiva ao beneficiado de ter o controle de suas decisões, além de estimular sua auto-confiança.
Projetos do gênero tendem a beneficiar especialmente mulheres, dando-lhes mais autonomia sobre suas vidas e seus ganhos.
O microcrédito contesta as noções mais comuns de assistência e a crença de que os ajustes estruturais da economia são a melhor maneira de se combater a pobreza.
O conceito tem sido celebrado como uma “solução” para a pobreza, mas beneficia menos pessoas extremamente pobres ou que vivam em países que enfrentam uma difícil situação econômica.
Origens em Bangladesh
O microcrédito surgiu em Bangladesh, onde Yunus criou um banco, o Grameen Bank (“Banco das Vilas"), em 1983, a partir de um projeto de pesquisa começado sete anos antes.
Em 2006, o banco conta com cerca de 6,61 milhões de beneficiados pelos empréstimos e levava o serviço a mais de 70 mil localidades do país. Cerca de 97% dos credores são mulheres.
Os usuários se juntam em grupos para pedir empréstimos no Grameen Bank, e as pessoas do mesmo grupo são incentivadas a acompanhar as solicitações umas das outras. Se uma das pessoas do grupo não paga, o empréstimo a todo o grupo é suspenso.
O Grameen Bank não é uma instituição de caridade. Ele cobra juros e é muito rigoroso com pagamentos, para estimular a disciplina e a independência dos usuários.
Estudos do Banco Mundial indicam que cerca de 50% das pessoas que emprestam dinheiro do Grameen Bank saem da linha de pobreza em até cinco anos, e outros 25% chegam à linha de pobreza.
Um dos riscos apontados pelos críticos do programa é o de desvio de dinheiro dos programas de assistência básica, que ainda são necessários, especialmente para os que não podem contar com o microcrédito.
Brasil
De acordo com dados do Fundo de Desenvolvimento de Capital das Nações Unidas (UNCDF), cerca de 230 mil pessoas se beneficiam do uso de financiamentos de microcrédito no Brasil.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estima que pelo menos oito milhões de pessoas poderiam ser elegíveis para empréstimos do gênero no país.
O Banco Mundial também estima que cerca de 16 milhões de pessoas se beneficem do sistema no mundo, por meio de várias instituições.