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11 de outubro, 2006 - 22h33 GMT (19h33 Brasília)

Marcia Carmo
De Buenos Aires

Argentina nega fim de cotas para importações do Brasil

Após dois dias de reuniões em Buenos Aires, representantes brasileiros não conseguiram convencer autoridades argentinas a desistir de impor cotas nas exportações de calçados, fogões, geladeiras e máquinas de lavar roupas do Brasil para o mercado argentino.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, disse que o Brasil está preocupado em acabar perdendo espaço, na Argentina, para os produtos similares fabricados na China.

“Claro, é a China que leva o Brasil a ter resistência a estes acordos (de cotas)”, admitiu. “A China e outros países que podem provocar desvio do nosso comércio bilateral.”

De acordo com o secretário, o Brasil deu um prazo de dois anos, encerrado em junho, para que esses setores da indústria argentina se recuperassem da crise econômica na Argentina em 2001. Neste período, a economia do país cresceu cerca de 8% por ano e, segundo ele, tanto a indústria de calçados quanto a chamada “linha branca” – fogões, geladeiras e lava-roupas – retomaram sua capacidade de produção.

Cotas

Até junho, estava em vigor uma limitação de exportações de treze milhões de pares de calçados brasileiros para o país vizinho e também cotas de exportação de fogões, geladeiras e máquinas de lavar roupa fabricados no Brasil para a Argentina.

No momento, esta regulação está suspensa até que as autoridades dos dois países, a pedido dos empresários do Brasil e da Argentina, cheguem a novo entendimento.

Ramalho contou que, para tentar destravar o impasse foi marcada, nova reunião para o dia 15 de novembro no Brasil.

Na terça-feira, após um encontro liderado pelos ministros da Economia da Argentina, Felisa Miceli, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, a ministra disse à imprensa argentina que “não haverá modificações (nas regras atuais de cotas)”.

O presidente da Federação que reúne as indústrias de eletrodomésticos, Hugo Ganim, negou ao jornal El Cronista que a Argentina esteja impedindo a entrada de maior quantidade de produtos brasileiros e deixando espaço para similares chineses.

“Isso é mentira. E eles (empresários brasileiros) também têm problemas com a importaçao de produtos da China”.

Numa entrevista a jornalistas dos dois países na Embaixada do Brasil, na segunda-feira, Furlan já tinha destacado que governo e empresários brasileiros nao viam mais razão para que as cotas de exportações brasileiras fossem mantidas.

Ele liderou uma comitiva de mais de dez pessoas, entre assessores e empresários brasileiros de diferentes setores, e justificou: “A gente tem que vir aqui antes que outros venham”.

Balança comercial

Nesta quarta-feira, o secretário Ivan Ramalho entregou ao colega argentino da pasta da Indústria, Miguel Peirano, e aos representantes dos empresários argentinos um estudo do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento de Comércio Exterior do Ministério brasileiro, mostrando que o comércio bilateral continua em alta e pode bater recorde no fim do ano.

Nos primeiros nove meses deste ano, entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras para a Argentina acumularam US$ 8,6 bilhões, valor 19,3% acima do mesmo período do ano passado. Desempenho superior ao das exportações brasileiras globais (16,8%).

Ao mesmo tempo, as importações brasileiras de produtos argentinos, entre janeiro e setembro deste ano, atingiram US$ 5,7 bilhões (aumento de 24,9% frente ao mesmo período do ano passado).

Ainda assim, a balança comercial continua favorável ao Brasil com US$ 2,9 bilhões – superior aos US$ 2,7 bilhões dos primeiros nove meses de 2005.

Se o ritmo deste comercial bilateral (de US$ 14,3 bilhões até setembro) for mantido, afirma-se no documento, será registrado intercâmbio recorde de US$ 19 bilhões.

A outra novidade é que mudou a pauta de exportaçoes de produtos argentinos para o Brasil. Saíram trigo e petróleo (porque o Brasil passou a ser auto-suficiente) e entraram produtos industrializados, destacou Ivan Ramalho.