10 de outubro, 2006 - 15h50 GMT (12h50 Brasília)
O Ministério da Imigração do Iraque disse nesta terça-feira que cerca de 300 mil pessoas abandonaram suas casas desde fevereiro no país devido à violência envolvendo muçulmanos xiitas e sunitas.
Foi em fevereiro que templos xiitas na cidade de Samarra foram destruídos em ataques com bombas. Os sunitas foram responsabilizados pelos ataques.
De acordo com o ministro da Imigração iraquiano, Abd al-Samad Rahman, algumas das famílias que fugiram - sunitas e xiitas - deixaram suas casas depois de receberem ameaças diretas. Outras se mudaram simplesmente por terem se sentido ameaçadas.
Rahman também explicou que a saída dos iraquianos de suas casas continua a ocorrer, especialmente em partes de Bagdá e da Província de Diyala, a nordeste da capital iraquiana.
Êxodo interno
Os últimos números sugerem que cerca de 140 mil pessoas abandonaram as próprias casas apenas nos últimos três meses.
A Organização Internacional para a Imigração afirmou que as pessoas que fugiram estariam se estabelecendo permanentemente em outros lugares dentro do Iraque.
A organização afirma que o número de pessoas que fugiram de suas casas é bem mais baixo, 190 mil.
Segundo a organização a província de Anbar, predominantemente sunita, recebeu o maior número de fugitivos, a maioria vindos da capital Bagdá.
Plano contra a violência
De acordo com o correspondente da BBC em Bagdá Jim Muir, o fato de a polícia ter anunciado nesta terça-feira que foram encontrados 60 cadáveres em diferentes pontos de Bagdá é um sinal da razão que está levando os iraquianos a deixar suas casas, procurando por regiões menos violentas.
O governo do país começou a implementar um plano anunciado pelo primeiro-ministro, Noori al-Maliki, para frear a violência na capital iraquiana.
Todos os bloqueios policiais em operação na cidade estão sendo operados por um número igual de soldados xiitas e sunitas.
Também de acordo com o plano, comitês especiais estão sendo criados em cada bairro com seguidores das duas vertentes da religião muçulmana para supervisionar decisões na área de segurança pública.
O correspondente da BBC explica que especialmente os xiitas têm sido acusados de ignorar e até participar de seqüestros e assassinatos sectários.