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07 de outubro, 2006 - 02h05 GMT (23h05 Brasília)

'Senti hostilidade em investigação', diz repórter do NYT

O jornalista americano Joe Sharkey, repórter do jornal The New York Times que sobreviveu à colisão do jato Legacy com o Boeing 737 da Gol na Floresta Amazônica, afirmou ter percebido hostilidade na investigação conduzida por autoridades brasileiras sobre o acidente.

"Lamento muito pelos pilotos (do Legacy), porque tive a sensação de que essa história não iria terminar muito bem", disse Sharkey em entrevista ao programa de rádio The World, uma co-produção da BBC transmitida para os Estados Unidos.

"Senti hostilidade nas perguntas (dos investigadores)", acrescentou o jornalista, que contou ter sido interrogado desde o final da tarde do último dia 29, data do acidente, até a madrugada do dia seguinte.

O repórter americano citou como exemplo de hostilidade o fato de ter sido fotografado sem camisa para que os investigadores tivessem uma prova de que ele não foi "torturado" durante o interrogatório.

Sharkey também criticou setores "populistas" da imprensa brasileira que teriam retratado a história como se o acidente tivesse sido causado por "capitalistas vadiando pelo espaço aéreo e matando 155 pessoas".

Pilotos

Após a colisão entre o Boeing e o Legacy, da empresa americana Excelaire, o jato conseguiu pousar em uma base na Serra do Cachimbo, mas o outro avião caiu e todas as 154 pessoas a bordo morreram.

O jornalista do The New York Times voltou a defender os pilotos do Legacy e lamentou o clima negativo que teria tomado conta das investigações.

"Estou preocupado com o clima político sensacionalista e com as especulações que surgiram na imprensa brasileira", disse Sharkey.

Os dois pilotos do jato, Joe Lepore e Jan Paladino, tiveram seus passaportes apreendidos a pedido da Justiça brasileira.

A promotoria que analisa o caso chegou a pedir o indiciamento dos dois por homicídio culposo, sob a acusação de que eles teriam provocado o acidente.

"Passei um bom tempo com esses caras", afirmou Sharkey ao comentar a atuação dos pilotos. "Não fiquei com a sensação de que eles estavam tentanto esconder alguma coisa."

Orientação

"Não sei se os pilotos tiveram alguma culpa", acrescentou o repórter. "Talvez a culpa seja do sistema de controle de tráfego aéreo deficiente sobre a Amazônia, que é um fato bem conhecido na aviação."

Em entrevistas anteriores, Sharkey já havia criticado o controle aéreo brasileiro na região. O comentário despertou a reação dos responsáveis pelo setor, que consideraram as críticas infundadas.

O jornalista americano disse ainda que, depois de interrogado, foi aconselhado a deixar o país o mais rápido possível.

"Achei que ficaria mais, mas recebi um conselho: 'você ainda não foi informado de que está preso, então deveria partir hoje (domingo) à noite'", afirmou Sharkey. "E foi isso que fiz."