05 de outubro, 2006 - 23h46 GMT (20h46 Brasília)
Autoridades brasileiras e bolivianas anunciaram nesta quinta-feira o adiamento de uma reunião para discutir a renegociação dos contratos da Petrobras na Bolívia, que estava prevista para o próximo dia 9 de outubro.
O adiamento foi divulgado por meio de um comunicado conjunto, que não especifica a nova data da reunião.
A nota assinada pelos ministros brasileiro Silas Rondeau (Minas e Energia) e boliviano Carlos Villegas (Hidrocarbonetos) diz apenas que eles esperam se encontrar "no mais breve prazo possível".
"A decisão visa a permitir que a YPFB e a Petrobras disponham do tempo necessário para avançar na avaliação das propostas técnicas bilaterais em andamento", explica o comunicado.
O encontro, que estava inicialmente previsto para setembro, já havia sido adiado para o dia 9 - uma semana depois do primeiro turno das eleições brasileiras.
Prorrogação
Na quarta-feira, o Movimento ao Socialismo (MAS), partido do presidente boliviano Evo Morales, apresentou ao Congresso uma proposta de prorrogação do prazo para a negociação de contratos entre o governo e as empresas petrolíferas estrangeiras que atuam no país, como a Petrobras.
Sem a prorrogação, o prazo para essas negociações termina em 28 de outubro, quando seriam completados 180 dias desde que Morales assinou o decreto de nacionalização das reservas naturais do país.
Em entrevista à imprensa boliviana, porém, o ministro Carlos Villegas reiterou que todos os prazos relativos à nacionalização estavam mantidos.
Brasil e Bolívia chegaram a suspender as negociações para a adequação às regras do decreto em junho, mas os contatos foram retomados em agosto, a partir da visita a Brasília do vice-presidente da Bolívia, Álvaro Garcia Linera.
Na ocasião, assessores de Linera disseram à BBC Brasil que o vice-presidente boliviano esperava um "compromisso político de Lula" em relação a um ajuste no preço do gás - um dos principais temas das negociações - "logo após as eleições brasileiras".
O primeiro adiamento da reunião havia sido justificado com "a necessidade de analisar" uma resolução boliviana que determinava que a estatal do país assumisse o controle das reservas de gás e petróleo e que a Petrobras e outras empresas passassem à condição de "prestadoras de serviço".
Diante da reação negativa do governo brasileiro, o governo boliviano acabou "congelando" a resolução.