29 de setembro, 2006 - 14h44 GMT (11h44 Brasília)
Emma Simpson
De Moscou
Relações entre a Rússia e a Geórgia se deterioraram nos últimos dois anos depois da chamada Revolução Rosa, que levou o líder Mikhail Saakashvili ao poder.
O presidente Saakashvili, aliado dos Estados Unidos, prometeu reconstruir o país e aproximá-lo do Ocidente, o que irritou a Rússia.
Mas Saakashvili tem dois problemas importantes para resolver. Ele precisa trazer duas regiões separadas de volta ao país.
O presidente geórgio tem acusado a Rússia de apoiar as regiões para sabotar o seu governo. Moscou nega as alegações.
Acusações
As regiões de Ossétia do Sul e Abkházia declararam independência nos dias finais da União Soviética. A Rússia intermediou acordos de cessar-fogo e tem mantido negociadores nas duas regiões desde então.
Moradores tem tido direito a passaportes da Rússia e empresários russos estão montando negócios nas regiões.
As tensões aumentaram depois que o parlamento da Geórgia acusou a Rússia de tentar anexar as regiões. A acusação foi repetida por Saakashvili nas Nações Unidas, na semana passada.
Houve meses de intensas trocas de acusações.
Quando uma série de explosões misteriosas afetou a oferta de gás e deixou milhares de geórgios sem aquecimento por diversos dias em pleno inverno, Saakashvili acusou a Rússia de sabotagem.
Em março, a Rússia baniu, devido a restrições sanitárias, as importações de vinho e água mineral da Geórgia, ambos importantes produtos de exportação. O governo de Tbilisi acusou Moscou de praticar uma guerra econômica.
As relações entre os dois presidentes também não são amistosas. Saakashvili é um líder impulsivo, enquanto o presidente russo Vladimir Putin parece estar pouco disposto a deixar sua influência ser reduzida no país vizinho.
O episódio dos espiões só aumenta as tensões.