28 de setembro, 2006 - 12h06 GMT (09h06 Brasília)
O jornal argentino El Clarín destaca nesta quinta-feira o discurso sobre um suposto "golpe da oposição" encampado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) às vésperas das eleições presidenciais deste domingo.
"As palavras percorrem o cenário eleitoral brasileiro nestes dias: 'golpe branco'. Na linguagem do PT se designa com esta frase a 'tentativa' de setores da oposição de barrar Lula em seu caminho para o segundo mandato", descreve o jornal.
O jornal traz uma entrevista com o dirigente petista Valter Pomar, em que o membro da executiva do PT descreve a existência de uma “direita inteligente e outra brutal” no Brasil.
Segundo o Clarín, Pomar afirma que "a idéia é desconhecer uma vitória do presidente, no primeiro ou segundo turno". "Não descartam recorrer a um impeachment posterior", disse o petista, de acordo como o jornal.
Entre os "golpistas" citados por Pomar estariam o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e os presidentes do PSDB e do PFL, Tasso Jereissati e Jorge Bornhausen.
Perguntado se o ex-prefeito de São Paulo, José Serra, estaria eximido das acusações, Pomar teria respondido à repórter: "Não eximo ninguém".
"Gorilas"
O diário La Nación traz uma entrevista em que o chefe da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, também endossa o discurso contra o que chamou de "visão golpista da oposição".
"As elites brasileiras são um pouco 'gorilas'", atribui o jornal argentino ao assessor de Assuntos Internacionais do presidente.
Na entrevista, Garcia teria dito que as denúncias de corrupção no governo são fruto da maior capacidade investigativa da Polícia Federal, e expressado confiança em que o PT possa recuperar o prestígio perdido pelos escândalos.
Prisões
O espanhol ABC noticia a ordem de prisão expedida pela justiça brasileira contra Freud Godoy, Oswaldo Vargas e Jorge Lorenzetti, "peças-chave do círculo íntimo do presidente Lula".
O jornal destaca que eles só poderão ser presos na semana que vem, por conta da lei eleitoral que proíbe detenções às vésperas das eleições, exceção feita aos casos em flagrante. A Polícia Federal recebeu a ordem de prisão com atraso, quando a medida já estava em vigor.
"O 'atraso' foi interpretado como uma forma de favorecer o presidente Lula antes que se abram as urnas de domingo. A fotografia dos 'homens do presidente' algemados e a caminho da prisão poderia provocar um contratempo de última hora nas pesquisas", escreve o ABC.
O jornal diz que "Lula deu um passo à frente na sua estratégia de se apresentar como um mártir surdo e cego, mas nunca mudo. Tentou convencer (o eleitor) – e parece que muitos engolem – de que está completamente alheio" aos escândalos.
Política energética
Já o El País aborda a autonomia alcançada pelo Brasil no setor petroleiro, e as políticas de fomentação de combustíveis alternativos, em especial o álcool.
"A busca por energias alternativas é talvez uma das demonstrações mais claras das políticas de Estado que se seguem no Brasil", diz o texto. "Uma política ativa de investimentos sustentados ao longo do tempo".
O jornal destaca as ambiciosas metas de produção de álcool, etanol e biocombustível para os próximos anos, mas ressalta um "ponto fraco" na matriz de energia.
"Metade do gás que se consome diariamente no país vem da Bolívia, em pleno conflito com a estatal Petrobras e com uma instabilidade institucional e jurídica recorrente."
"Esse é o fato por que as autoridades e a indústria decidiram se inclinar para o etanol, e não para o gás natural como combustível automotor."