
28 de setembro, 2006 - 19h15 GMT (16h15 Brasília)
Denize Bacoccina
De Brasília
Política externa evidencia diferenças entre Lula e oposição
Se em muitas áreas os programas de governo dos vários candidatos se parecem, é na área externa que eles mostram suas diferenças. Os dois candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto para presidente têm propostas bem diferentes para a política externa brasileira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer manter a linha adotada nos últimos quatro anos, de fortalecimento das relações com os países em desenvolvimento, a chamada política sul-sul, e a prioridade para a reforma do Conselho de Segurança da ONU, com a admissão do Brasil como membro permanente.
Já o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, quer intensificar as relações com as economias mais desenvolvidas, e diz acreditar que a aproximação com o G-8 é mais importante do que insistir em reformar o Conselho de Segurança. Alckmin também defende a definição de uma data para tirar as tropas brasileiras do Haiti.
Os candidatos Cristovam Buarque e Heloísa Helena têm propostas mais vagas para a área internacional.
Cristóvam defende a diversidade nas relações internacionais e o aumento do controle das fronteiras do país.
Heloísa Helena propõe o aprofundamento da política sul-sul, mas diz que o Brasil deveria desistir do Conselho de Segurança porque isso leva o país a adotar políticas que interessam aos Estados Unidos, como a chefia da missão de paz no Haiti e não ter defendido a Argentina publicamente quando o país renegociava sua dívida externa.
Veja abaixo as propostas de política externa dos principais candidatos à Presidência:
Luiz Inácio Lula da Silva
- reforma da ONU e reivindicação de vaga permanente no Conselho de Segurança
- reduzir assimetrias entre países pobres e ricos
- luta contra a fome no mundo
- integração da América do Sul e ênfase nas relações sul-sul, principalmente com a África
- ampliar o acesso aos mercados americano, europeu e asiático
Geraldo Alckmin
- ampliar as relações com os países da América do Sul
- impulsionar negociações comerciais multilaterais, sem ideologizá-las e levando em conta os interesses de setores produtivos brasileiros
- revigorar o Tratado de Cooperação Amazônica
- intensificar a vigilância das fronteiras
- intensificar as relações com as economias mais desenvolvidas
- relacionamento com países grandes como China, Índia e Rússia baseado em interesses mútuos e não considerar que são "aliados naturais"
- ampliar relacionamento com países africanos, especialmente os de língua portuguesa
- considera legítimo pleito pelo Conselho de Segurança, mas diz ser mais importante que o Brasil se aproxime da OCDE ou seja acolhido em um G-8 ampliado
- definir prazos e estratégia para a retirada das forças brasileiras do Haiti
- retomar as negociações para a criação da Alca e explorar acordos bilaterais de livre comércio
- atuar pela retomada das negociações da Rodada de Doha
- promover ampla reflexão sobre o Mercosul
- ampliar o comércio sul-sul
Heloisa Helena
- aprofundar relações com a América Latina para integração em bases solidárias nas áreas comercial, industrial, política e de infra-estrutura
- alianças com os outros países em desenvolvimento, especialmente no eixo sul-sul
- discorda da política atual de priorizar a busca por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU porque considera que isso leva o país a atender interesses americanos, como a missão no Haiti, e não ter apoiado publicamente a renegociação da dívida externa argentina
Cristovam Buarque
- participar dos grandes debates mundiais sobre temas como aquecimento do planeta e outros desequilíbrios, migração e apartheid social, terrorismo e tráfico de armas
- aumentar o controle das fronteiras, especialmente no Norte, para evitar entrada de armas e drogas
- redefinir o papel das Forças Armadas, com compra de equipamentos mais modernos
- incentivar a integração sul-americana e fortalecer o Mercosul
- diversidade nas relações internacionais