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28 de setembro, 2006 - 16h42 GMT (13h42 Brasília)

China nega venda de órgãos de presos executados

A China negou as informações de uma reportagem investigativa divulgada pela BBC revelando que a venda de órgãos retirados de prisioneiros executados está prosperando no país.

O porta-voz do Ministério do Exterior, Qin Gang, disse que órgãos de prisioneiros podem ser usados em transplantes, mas que isso é feito com "muita precaução".

"A venda de órgãos é proibida, (a doação de órgãos) deve ter o consentimento do doador", afirmou.

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Segundo a agência de notícias AFP, o porta-voz Qin disse a jornalistas que os prisioneiros executados haviam dado consentimento por escrito.

A doação também deve ser aprovada por funcionários da saúde e pela Justiça de cada província, segundo ele.

A reportagem revelou que órgãos dos condenados à morte são vendidos para estrangeiros que precisam de transplantes.

Um hospital afirmou que poderia fornecer um fígado a um custo de US$ 94,4 mil (cerca de R$ 209 mil), com o cirurgião-chefe confirmando que um prisioneiro poderia ser o doador.

”Presente à sociedade”

O jornalista da BBC Rupert Wingfield-Hayes visitou o Hospital Central Número Um de Tianjin sem se identificar como repórter. Ele disse que estava procurando um fígado para seu pai.

Representantes do hospital disseram ao repórter que um fígado poderia ser disponibilizado em três semanas.

Uma das autoridades afirmou que os prisioneiros eram voluntários para a doação de órgãos, colaborando, dessa forma, com um "presente à sociedade". E acrescentou que atualmente existe um excedente de órgãos devido a um aumento nas execuções, em antecipação ao feriado nacional chinês do dia 1° de outubro.

A China executa mais prisioneiros do que qualquer outro país no mundo. Em 2005 pelo menos 1.770 pessoas foram executadas, apesar de o número verdadeiro poder ser bem maior, segundo um relatório da Anistia Internacional.

Direitos humanos

Em março, o Ministério do Exterior da China admitiu que órgãos de prisioneiros foram usados, mas afirmou que isto ocorreu em "apenas poucos casos".

Mas não está totalmente claro se os prisioneiros são realmente livres para decidirem sozinhos a respeito da doação de seus órgãos pouco antes de sua execução.

Em abril de 2006, cirurgiões britânicos condenaram a prática, afirmando que era inaceitável e um desrespeito dos direitos humanos.

Mas, segundo o correspondente da BBC, o Hospital Central Número Um de Tianjin realizou 600 transplantes de fígado em 2005 e a indústria de transplante de órgãos se transformou em um grande negócio.