27 de setembro, 2006 - 19h20 GMT (16h20 Brasília)
Denize Bacoccina
De Brasília
A fidelidade partidária, com punição para quem deixar o partido pelo qual foi eleito ainda durante o mandato, é defendida pelos principais candidatos à Presidência da República em suas propostas de reforma política.
A crise política provocada pelos sucessivos escândalos dos últimos meses, incluindo o mais recente, que envolveu os chamados sanguessugas do Congresso, aumentou o debate em torno de mudanças que, na avaliação de políticos e analistas, seriam necessárias para melhorar as regras do jogo político e aumentar a credibilidade dos políticos.
O programa da coligação A Força do Povo (PT, PC do B e PRB) defende uma reforma política "a ser definida por meio de amplo diálogo entre o Congresso Nacional, os partidos e a sociedade brasileira".
O documento diz ainda que a reforma política deve assegurar "a pluralidade dos partidos, a fidelidade partidária, o financiamento público de campanhas eleitorais e o voto proporcional, preferenciamente por lista pré-ordenada".
O candidato do PSDB e PFL, Geraldo Alckmin, também defende a fidelidade partidária, mas com uma punição mais branda do que a perda do mandato para quem mudar de partido.
Pelo programa de Alckmin, o político que trocar de partido seria impedido de sair candidato na próxima eleição. A coligação também defende o voto distrital, mas ainda não definiu se ele deve ser puro (quando cada distrito eleitoral escolhe apenas um candidato para representá-lo na Câmara) ou misto.
Reeleição
O PSDB ainda está dividido sobre a reeleição. Alckmin já fez declarações se dizendo favorável à manutenção da lei como está, mas nesta quarta-feira disse em um comício que se fosse eleito trabalharia para acabar com a possibilidade de reeleição.
O coordenador do programa de governo de Alckmin, João Carlos Meirelles, diz que o programa é um roteiro das diretrizes sobre o que fazer. "Como fazer vem em um segundo momento, com o detalhamento do programa", afirmou.
O candidato do PDT, Cristovam Buarque, defende o fim da reeleição para o Executivo, com possibilidade de no máximo dois mandatos para o Legislativo.
Cristovam também é favorável ao financiamento público das campanhas, fidelidade partidária com perda de mandato para quem troca de partido, fim do voto secreto no Congresso e voto distrital misto, com 10% da Câmara reservada para candidatos nacionais.
O programa de Cristovam também inclui itens não abordados pelos outros candidatos, como a possibilidade de cassação do mandato por ação popular e o ensino nas escolas do "papel, deveres e responsabilidade do cidadão nos rumos do país".
A candidata do PSOL, Heloisa Helena, também defende o financiamento público de campanha e a fidelidade partidária. Ela também prega uma reforma tributária para descentralizar os recursos da União, o fim dos cargos públicos nomeados e o fim das emendas individuais no Orçamento.
Veja abaixo uma lista com as principais propostas de reforma política de cada candidato:
Luiz Inácio Lula da Silva
Geraldo Alckmin
Heloisa Helena
Cristovam Buarque