26 de setembro, 2006 - 14h12 GMT (11h12 Brasília)
Um dos militares que assumiram o poder na Tailândia na semana passada pediu à comunidade internacional que compreenda as razões que motivaram o golpe de Estado.
Em entrevista exclusiva à BBC, um dos generais da junta de governo, Winai Phattiyakul, afirmou que o Exército interveio para evitar confrontos entre os partidários e detratores do primeiro-ministro deposto, Thaksin Shinawatra.
"Haveria mais confrontos entre manifestantes pró-Thaksin e anti-Thaksin", disse o general Winai. "Se deixássemos que ocorressem novamente, não sabemos quantas vidas seriam perdidas."
Bem recebido na capital tailandesa, Bangcoc, o golpe de Estado foi condenado pela maioria dos países ocidentais como um retrocesso na democracia.
Na entrevista, o general Winai insistiu que a intervenção é apenas uma mudança política. Mas o país proibiu atividades partidárias, encontros políticos com mais de cinco pessoas, e a publicação de críticas ao golpe na internet.
O militar afirmou que "as restrições sobre algumas atividades da imprensa são apenas por um breve tempo", e alegou que as medidas tentam contrabalançar o poder do ex-premiê Thaksin, que "ficou no poder muito tempo e tem muita influência".
"Nós não queremos correr nenhum risco", disse o general.
Eleições
Winai acrescentou que o próprio Exército estava fortemente dividido antes do golpe, e que novas eleições, marcadas para o fim de ano, não resolveriam o impasse político do país.
Os militares prometeram convocar eleições em outubro de 2007, depois que uma nova constituição for reescrita. Mas observadores têm questionado se isto será suficiente para neutralizar a influência do partido Thai Rak Thai, do ex-premiê Thaksin.
Embora o golpe tenha sido bem recebido na capital, o quadro ainda é incerto no interior do país, mais pobre e tido como base eleitoral de Thaksin.