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18 de setembro, 2006 - 21h06 GMT (18h06 Brasília)

Sonia Ambrosio de Nelson
De Cingapura

Crescimento de asiáticos pode beneficiar mais AL, diz Bird

Os países da América Latina ainda não estão sendo beneficiados como poderiam pelo crescimento econômico da China e da Índia devido à falta de investimentos internos, afirmaram representantes do Bando Mundial (Bird).

Segundo o economista-chefe da instituição para a América Latina, Guillermo Perry, os países da região podem tirar mais benefícios do crescimento indiano e chinês se investirem em educação e inovação científica e tecnológica.

"Os países precisam se concentrar em políticas (que ajudem) empresas e trabalhadores a aumentar sua competitividade e adquirir as habilidades necessárias para criar produtos intensivos em conhecimento cientifico e de melhor qualidade", ele afirmou.

A vice-presidente do Bird, Pamela Cox, tem opinião semelhante. Para ela, "a América Latina tem que melhorar a educação, a infra-estrutura, e (prover) maior igualdade para a população".

Competição

Um estudo do Bird, divulgado como parte das discussões da reunião anual do Bird, em Cingapura, destaca que os benefícios para a América Latina podem compensar o efeito negativo da competição que indústrias desses países representam para alguns setores industriais latino-americanos.

"São enganosas as preocupações de que a China e a Índia estão ocupando espaço da América Latina nos mercados mundiais de bens, serviços, e investimento direto estrangeiro", diz o relatório.

O efeito negativo é particularmente visível em algumas indústrias, empresas e sub-regiões do México e da América Central. Entre as indústrias mais afetadas estão as de máquinas elétricas e industriais, eletrônicos, equipamento de transporte e têxteis.

Mas o relatório destaca que as importações da China e da Índia motivaram alta nos preços de commodities, beneficiando países como o Brasil (que exporta soja) e o Chile (que exporta cobre).

O comércio bilateral entre a América Latina e a China alcançou US$ 47 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões) em 2005, um crescimento notável se comparado a apenas US$ 200 milhões (menos de R$ 450 milhões) em 1975.

Competição
Chanceler Celso Amorim e o ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath
Índia tem sido parceiro do Brasil em disputas e acordos comerciais

Em 2002, o México perdeu para os países asiáticos a posição de segundo maior exportador para os Estados Unidos. Os produtos manufaturados chineses representam 80% da exportação do México.

Já a indústria de confecção do país, que gera US$ 14 bilhões (mais de R$ 30 bilhões) e mais de 500 mil empregos, poderia estar ameaçada por 20 milhões de artigos de confecção produzidos anualmente pelos trabalhadores chineses, a uma fração do preço de custo.

Países menos industrializados da América Central, como Haiti e a Nicarágua, passaram a desenvolver produtos que demandam mão-de-obra intensiva não qualificada com baixo salário.

A parcela da China e da Índia nas exportações mundiais é 50% maior que a da América Latina e do Caribe, enquanto que o oposto ocorria em 1990.

No entanto, as exportações de serviços da América Latina e Caribe para os Estados Unidos – que representam o seu principal mercado – são sete vezes maiores do que as da China e da Índia juntas.

Investimentos

No caso da indústria de vestuário, a Costa Rica e a Republica Dominicana estão se voltando para a produção de roupas e tecidos mais caros e de melhor qualidade.

"Os benefícios vão desde as maiores oportunidades de exportação da América Latina e Caribe para os mercados asiáticos, às novas possibilidades de produção associadas aos insumos intermediários mais baratos provenientes da China e da Índia", diz o relatório.

Os autores destacaram ainda o papel da China como "um grande exportador liquido de capital".

Quando o presidente chinês Hu Jintao visitou a América latina em 2004, ele prometeu investir US$ 100 bilhões (cerca de R$ 220 bilhões) nos dez anos seguintes.

Os projetos incluiriam linhas ferroviárias e exploração de óleo na Argentina e Brasil, e mineração de cobre no Chile.

A China investiu no exterior mais de US$ 11 bilhões (cerca de R$ 24 bilhões) em 2004; cerca de US$ 1 bilhão (em torno de R$ 2,2 bilhões) foi para a América Latina, dizem fontes oficiais chinesas.