17 de setembro, 2006 - 12h15 GMT (09h15 Brasília)
Sônia Ambrósio de Nelson
De Cingapura
O diretor do Departamento para o Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Annop Singh, disse que as perspectivas de desenvolvimento econômico para a América Latina são muito boas.
O representante do FMI qualificou ainda como "fabuloso" o índice de crescimento, redução de pobreza e gastos públicos no Brasil nos últimos três ou quatro anos.
Segundo Singh, tanto a América Latina quanto o Caribe estão com crescimento econômico acima da média histórica. "Na verdade, aumentamos as nossas projeções de crescimento para a região. Estimamos crescimento em torno de 4,75% este ano e cerca de 4% em 2007."
A região está mais resistente a mudanças nas condições do mercado financeiro, mas com a dívida pública elevada, continua vulnerável, destacou Singh.
Crescimento sustentável
"O que quero dizer é que a região tem uma oportunidade histórica. Ela está crescendo mais rápido do que nunca. Os países estão crescendo a níveis rápidos. O Peru está crescendo acima de 6,5%."
"O Brasil, claramente, está com tendência de prolongar o crescimento pelo o próximo ano. É necessário que a região mantenha uma política para sustentar tal expansão", disse Singh.
A respeito de gastos públicos no Brasil, Singh disse que a dívida ainda não chegou a um nível que provoque preocupação. "O meu ponto é que não é apenas o Brasil, mas vários países."
"Praticamente todos os países estão com aumento de gastos públicos. O que precisamos assegurar é que nesses países o crescimento econômico seja sustentável e que os gastos adicionais sejam dirigidos para melhorar a igualdade e reduzir as áreas de pobreza."
Singh salientou que leva tempo para países desenvolverem projetos de desenvolvimento que sejam importantes para apoiar o crescimento, mas que, "de fato, o Brasil é um dos pioneiros em tentar assegurar os gastos com objetivos bem orientados".
Bolsa Família
Para exemplificar, Singh elogiou o programa Bolsa Família. De acordo com o economista, o programa estará atendendo cerca de 11 milhões de famílias até o final de 2006.
"Acreditamos que este programa, juntamente com outras políticas sociais, tem sido fundamental para reduzir a pobreza no Brasil. A pobreza foi reduzida substancialmente nos últimos três anos, e penso que precisamos reconhecer isso", destacou o representante do FMI.
O economista elogiu ainda a "disciplina fiscal exemplar" do Brasil.
Apesar das previsões positivas de contínuo crescimento econômico na América Latina e Caribe, Singh salientou que possivelmente o pior risco para a região vem de situações dos Estados Unidos.
Para o economista, "qualquer desenvolvimento não esperado nos Estados Unidos, seja no setor de habitação, desaceleração em crescimento ou outros ajustes globais terão impacto significativo na região", já que o país continua a ser parceiro importante da América Latina e do Caribe.