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13 de setembro, 2006 - 21h41 GMT (18h41 Brasília)

Daniel Gallas
De São Paulo

Grande imprensa perde espaço para 'cidadão-jornalista', diz analista

Os cidadãos estão ocupando cada vez mais o espaço dos jornalistas dos meios de comunicações em massa, usando a internet e o celular para “noticiar” informações e fotos exclusivas e formar opinião, afirma o jornalista e escritor americano Dan Gillmor.

Gillmor é autor do livro We the Media ("Nós, A Mídia"), que se tornou uma referência no estudo sobre como o jornalismo e a grande mídia estão se tornando obsoletos.

No lugar dos veículos tradicionais, sites montados por cidadãos não formados em jornalismo têm conseguido oferecer serviços ao público com maior eficiência.

O escritor americano falou a jornalistas e críticos de mídia em São Paulo durante o Colóquio Latino-Americano sobre Observação da Mídia, que termina nesta quarta-feira.

Projetos

“Com as novas tecnologias, como a internet e o celular, a mídia se democratizou. Não no sentido de maiores direitos das pessoas, mas de maior participação de todos na comunicação”, disse Gillmor, em palestra na terça-feira.

Ele enumerou alguns exemplos de serviços montados por cidadãos que competem – e até ganham – dos grandes veículos de comunicação em massa nos Estados Unidos, em um mercado com mais de 200 milhões de internautas (oito vezes o tamanho do Brasil).

BBC

O site de notícias da BBC na Grã-Bretanha também tem feito estudos sobre o jornalismo dos cidadãos. Durante eventos importantes, como os atentados de Londres de 2005, o portal publicou fotos do incidente tiradas pelos internautas.

Recentemente, foi montado um projeto-piloto pela empresa com produção de informações exclusivamente por cidadãos.

“Oitenta e cinco por cento dos britânicos consumem algum tipo de material da BBC ao longo da semana”, afirma o diretor da Faculdade de Jornalismo da BBC, Vin Ray, que falou no colóquio em São Paulo sobre a iniciativa.

O colóquio Latino-Americano sobre Observação da Mídia reuniu críticos de mídia, jornalistas e acadêmicos de países como Chile, Venezuela, Uruguai, Argentina e Colômbia, entre outros.

“O objetivo é promover a crítica da mídia, campo no qual o Brasil é, de certa forma, um precursor no continente”, disse Alberto Dines, diretor do Observatório da Imprensa, que organizou o evento. O colóquio contou com apoio da BBC Brasil e da Ford Foundation.