14 de setembro, 2006 - 13h15 GMT (10h15 Brasília)
Rogerio Wassermann
O Plano Nacional de Reforma Agrária anunciado pelo governo Lula em 2003 previa o assentamento de 400 mil famílias em todo o país até 2006.
Segundo dados do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), 245 mil famílias foram assentadas entre 2003 e 2005 – perfazendo um total de 700 mil famílias desde 1994.
Apesar de o governo Lula alegar ter acelerado os assentamentos em relação ao governo anterior, a questão agrária continua gerando conflito entre os grupos sociais organizados e o governo federal.
Segundo a Comissão Pastoral da Terra, ainda existem hoje no Brasil 4,5 milhões de famílias sem-terra. Cerca de 400 mil dessas famílias pressionam por desapropriações acampadas em beiras de estradas ou em propriedades ocupadas.
Para Marluce Melo, coordenadorda da Comissão Pastoral da Terra em Pernambuco, “não houve mudança do modelo econômico” neste governo. “Lula reforçou o agronegócio que oprime os sem-terra e os pequenos agricultores”, diz ela.
Ainda assim, a candidatura Lula tem grande apoio entre os sem-terra. Segundo Marluce, “a reforma agrária não avançou com Lula, mas os sem-terra e pequenos agricultores votam nele porque Lula não criminalizou os movimentos sociais nem os sem-terra, além de ampliar os programas sociais e os créditos para a agricultura familiar e assentamentos”.
Além disso, em sua avaliação, há também um componente de voto útil. “Não há outra alternativa. Os outros candidatos são de extrema-direita. A candidata de ‘esquerda’ é fruto de uma conjuntura e não das lutas e dos movimentos sociais”, afirma.