14 de setembro, 2006 - 13h18 GMT (10h18 Brasília)
Rogerio Wassermann
O Brasil é considerado hoje o país com a maior taxa de juros reais do mundo, mesmo após a redução nominal da taxa Selic, fixada pelo Banco Central, de 14,75% para 14,25% ao ano, no início de setembro.
A redução das taxas de juros faz parte das promessas de campanha de todos os candidatos, porém os analistas vêem pouca influência direta das taxas de juros sobre a decisão dos eleitores.
“O aumento ou a redução da taxa de juros não tem muita influência sobre o eleitor comum”, avalia o economista José Márcio Camargo, professor da PUC-RJ e sócio da consultora Tendências.
Para ele, “se a questão tivesse alguma influência, seria a favor do presidente Lula, porque apesar de os juros reais brasileiros serem os maiores do mundo, são os menores no país dos últimos 30 anos”.
A taxa de juros real é calculada pela subtração da inflação da taxa nominal de juros. Quando a inflação cai, mas essa queda não é acompanhada de uma queda na taxa de juros, a taxa real sobe.
Quando assumiu o governo, em janeiro de 2003, Lula encontrou a taxa Selic fixada em 25,5% ao ano, mas com uma previsão de inflação maior do que a precisão atual.
Para José Márcio Camargo, mesmo as altas taxas de juros pagas nos empréstimos pessoais e no cheque especial não têm um impacto negativo sobre a imagem do governo.
“Os juros para o consumidor também estão em seus níveis mais baixos em muito tempo”, diz.
Para ele, os empréstimos com desconto em folha de pagamento foram um ponto importante para a satisfação do eleitor comum com o governo. “Antes essas pessoas não conseguiam crédito, nem eram recebidos pelo gerente do banco. Agora pagam 60% de juros ao ano, mas têm crédito.”