http://www.bbcbrasil.com

10 de setembro, 2006 - 13h35 GMT (10h35 Brasília)

Marina Wentzel
De Pequim

China precisa de reformas para virar país desenvolvido

Um estudo apresentado neste domingo em Pequim, durante um encontro do Fórum Econômico Mundial, sugere que a China só vai se consolidar entre os países desenvolvidos, se promover profundas reformas.

O relatório "China e o Mundo: Cenários para 2025" baseia-se na opinião de mais de cem especialistas e foi elaborado durante discussões em Pequim, Londres, Paris, Xangai, Cingapura e Washington.

As discussões desses encontros resultaram em três distintas previsões para o futuro da economia chinesa.

Na versão mais otimista, apelidada de "Nova Rota da Seda", a China desfrutaria de um crescimento anual médio de 9% graças a reformas domésticas que incluem a reestruturação do sistema financeiro; a separação dos poderes legislativo, executivo e jurídico; a promoção de maior transparência no sistema administrativo; a proteção à propriedade intelectual e o estímulo à inovação.

Paralelamente às reformas internas, a China deveria promover uma maior abertura de mercado e a intensificar as trocas comerciais, sugere o estudo.

Impacto global

Isso beneficiaria não apenas o país, mas também a economia global. Dessa forma, por exemplo, no período entre 2020-2025 o Brasil cresceria na média 4.3% ao invés de 4.1%, em contraste a um outro cenário, no qual a China limitaria o comércio exterior.

"Com o crescimento da classe média, a tendência é um igual crescimento do consumo em geral, inclusive de alimentos com valor agregado. A pergunta é: quem vai fornecer isso? Pode ser o Brasil", analisou Alexander Van de Putte, diretor de práticas globais do Fórum Econômico e um dos organizadores do estudo em entrevista à BBC Brasil.

Van de Putte acrescenta ainda que o cenário positivo é o mais provável, porém condições independentes da China, como a adoção de uma postura ultra-protecionista pelos países ricos, poderiam influenciar os rumos do desenvolvimento.

Em um cenário pessimista, a China poderia perder o bonde do desenvolvimento, se fracassar na implementação das reformas. Nessa previsão, o país registraria crescimento médio de 6.0%.

O resultado seria um aumento nas diferenças sociais e conseqüente insatisfação popular. Haveria o risco de a China retroceder democraticamente e o nível de desenvolvimento humano cairia.

Mundo protecionista

No terceiro cenário, a China não dependeria apenas de sua capacidade de se reestruturar, mas seria conduzida pelos ventos do comércio internacional.

Caso os países ricos, como os Estados Unidos e os membros da União Européia, tornem-se mais protecionistas, a solução para a China seria voltar-se para os parceiros regionais da Ásia.

Nesta situação, a Índia seria beneficiada e registraria um crescimento médio de 6.4%, em contraste com os 6.0% do cenário anterior.

A China ainda poderia se consolidar como país desenvolvido se conduzisse as reformas necessárias, porém cresceria numa média de apenas 7.5% ao ano.