06 de setembro, 2006 - 10h37 GMT (07h37 Brasília)
Aliados próximos do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, afirmaram que ele deve deixar o cargo dentro de um ano.
O mais recente comentário sobre o assunto foi feito, em uma entrevista à BBC, pela secretária de gabinete Hilary Armstrong.
"Nós (do Partido Trabalhista) esperamos ter um novo líder já na próxima convenção em 2007", afirmou. A primeira convenção do partido em 2007 ocorre em Fevereiro.
Nesta quarta-feira, o tablóide The Sun estampou em sua primeira página a notícia de que Blair sairia em 26 de julho do ano que vem, depois de deixar a liderança do partido em 31 de maio, mas a assessoria do governo britânico se negou a comentar o assunto.
'Especulação'
Em outra entrevista à BBC, o secretário de desenvolvimento internacional Hilary Benn falou em especulação.
"Não sei de onde o Sun tirou essa informação", afirmou. "Nós deveríamos confiar no que o primeiro-ministro disse: que ele fará o que é melhor para o partido e vai, no momento propício, anunciar sua data de saída."
Pouco antes das últimas eleições, em 2005, Tony Blair disse que iria cumprir seu terceiro mandato até o próximo pleito, provavelmente em 2010, mas não iria concorrer uma quarta vez.
Na terça-feira, no entanto, o jornal Daily Mirror publicou um memorando que teria vazado e que detalha os planos dos principais aliados de Blair para sua saída.
Pressão
Além disso, a pressão pela renúncia vem aumentando.
Ainda nesta quarta-feira, dois funcionários do alto escalão do governo pediram demissão.
Um deles, o ministro-adjunto de Defesa, Tom Watson, foi um dos 17 membros do Partido Trabalhista que enviaram uma carta a Blair, na terça-feira, pedindo para que ele deixe o cargo para pôr fim ao clima de incerteza.
Em sua carta de demissão, Watson disse que "não é mais do interesse do partido nem do país ter Blair no governo".
Pouco depois, o assistente ministerial do Interior Khalid Mahmood, também pediu demissão.
Acredita-se que outro grupo de parlamentares, eleitos em 2005, também esteja redigindo uma carta fazendo um apelo pela renúncia imediata.
Mas outros aliados do primeiro-ministro saíram em sua defesa.
O secretáro de Trabalho e Previdência, John Hutton, pediu a seus colegas de partido que parem de tentar forçar Blair a definir uma data para sua saída.
"Precisamos acabar com essa obsessão, essa novela, essa pantomima sobre a data", afirmou ele, nesta quarta-feira, ao programa Breakfast, da BBC.
Para um dos representantes do mesmo distrito eleitoral de Blair, John Burton, o Partido Trabalhista está mais uma vez mostrando seu "botão de auto-destruição".