03 de setembro, 2006 - 19h30 GMT (16h30 Brasília)
Rodrigo Durão Coelho
De Londres
Além do bom futebol apresentado pela seleção brasileira, o técnico Dunga destacou a violência da equipe argentina na vitória do Brasil por 3 x 0, neste domingo, em Londres.
"Quando a Argentina quis bater, o Brasil ganhou", disse ele. "Quem venceu foi o futebol".
O técnico argentino, Alfio Basile, entretanto, não considerou a partida violenta: "É normal. Brasil e Argentina sempre fazem jogos aguerridos, com marcação muito forte", disse ele após a partida.
A marcação foi, de fato, fundamental para a vitória brasileira, segundo Dunga.
O ex-volante da campanha do tetra disse ter instruído os jogadores a fazer uma marcação forte: "A idéia era reduzir os espaços para o Riquelme".
Os jogadores brasileiros disseram que já esperavam um jogo duro contra los hermanos.
"Quando eles estão perdendo, começam a bater. Não ficam muito bem", afirmou o volante Edmílson.
"Eles não são bobos, jogaram firme e bateram bastante. Saímos com dores", disse o goleiro Gomes.
Garra
A seleção brasileira de Dunga brilhou ao longo dos 90 minutos e, especialmente, nos dois gols de Elano e no belo gol de Kaká, que definiu o placar.
Mas a equipe demonstrou ainda uma garra similar à apresentada pelo técnico em seus tempos de jogador.
"A gente podia até perder, mas íamos demonstrar muita vontade", disse Edmílson.
Tanto os jogadores quanto o técnico evitam fazer comparações entre a seleção atual e a do técnico Carlos Alberto Parreira. Porém, é possível perceber uma mudança de atitude.
"Tem muito olho no olho com o Dunga", disse o atacante Fred. "Eu estou gostando muito, ele é um parceiro".
Sem estrelas
O volante Edmílson aponta a grande expectativa que havia em relação à Copa da Alemanha para a má campanha brasileira no mundial.
"Se achou que o Brasil iria ganhar fácil a Copa", disse o jogador, que foi cortado pouco antes da competição por motivo de contusão.
"Hoje, mesmo sem as chamadas grandes 'estrelas', nós vencemos. Estamos nos doando muito".
O lateral Cicinho considerou excelente a apresentação brasileira e explicou por que teve tanto destaque no jogo.
"O Dunga pede que nunca comecemos as jogadas pelo meio. Portanto, a bola cai na lateral e eu inicio as jogadas de ataque freqüentemente", revelou o ala do Real Madrid.
"Ele foi jogador e sabe que do meio para a frente nem sempre os atletas cumprem todas as determinações do técnico. Depende do improviso e da criatividade."
Cicinho não perdeu a oportunidade de tripudiar dos argentinos: "Nós brincamos que agora está 7 x 1. Foram 4 x 1 na final da Copa das Confederações (2005) e hoje foram 3 x 0".
A seleção volta a campo nesta terça-feira contra o País de Gales, no estádio do Tottenham, em Londres.
Os jogadores revelaram que assistiram à partida de sábado entre a seleção galesa e a República Tcheca.
"O time joga parecido com a Noruega, com muitos cruzamentos para a área", diz Cicinho.