01 de setembro, 2006 - 09h29 GMT (06h29 Brasília)
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, encontrou o presidente da Síria, Bashar al-Assad, nesta sexta-feira para pedir apoio à implementação do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah.
Acredita-se que entre os principais temas da conversa estiveram o controle da entrada de armas no Líbano, a partir da fronteira com a Síria, e a libertação dos dois soldados israelenses pelo Hezbollah, cuja captura deu início ao conflito que durou um mês.
O teor da conversa, no entanto, não foi divulgado à imprensa.
A Síria é vista como um país que apóia o Hezbollah e uma peça importante na manutenção do cessar-fogo.
Fronteira
Os sírios, que mantiveram tropas no Líbano durante 29 anos até o ano passado, negam que apóiem a milícia libanesa com armas, assim como negam que o grupo receba material por meio de sua fronteira, duas acusações sustentadas por Israel.
O presidente Assad também chegou a dizer que pode fechar a fronteira com o país vizinho caso ela passe a ser patrulhada por tropas da ONU.
O enviado da Organização das Nações Unidas à região, Terje Roed-Larsen, já afirmou, porém, que a intenção da missão é parar com o tráfico de armamentos, e não necessariamente patrulhar a fronteira – o que poderia ser feito por tropas libanesas.
Outro ponto em que a ONU deu sinais que a Síria poderia ajudar seria na liberação dos soldados israelenses capturados pelo Hezbollah no dia 12 de julho.
Desde o início do conflito, a milícia disse que só libertaria os soldados em troca de militantes que estão presos em Israel.
Representantes da ONU sugerem que uma solução intermediária seria entregar os soldados a uma terceira parte – possivelmente o governo libanês – até que uma solução final pudesse ser atingida.
Observadores dizem que Annan quer o apoio da Síria para a idéia.
O secretário-geral está em um giro pelo Oriente Médio que já inclui o Líbano, Israel e os territórios palestinos. Ele ainda visita a Jordânia.
O objetivo é buscar apoio e garantias para implementar a resolução da ONU que estabeleceu o cessar-fogo no Líbano e que prevê a ampliação das tropas internacionais no país, a retirada de Israel da região, a libertação dos soldados israelenses e o fim das hostilidades dos dois lados.