26 de agosto, 2006 - 11h44 GMT (08h44 Brasília)
Danny Wood
De Madri
Autoridades das Ilhas Canárias, na Espanha, manifestaram a preocupação com o destino de mais de 700 crianças desamparadas que chegaram ao arquipélago de barco.
Elas fazem parte do grupo de milhares de africanos, em sua maioria, que se lançaram ao mar e atingiram as Ilhas Canárias nos últimos meses.
O governo canário disse não dispor de recursos para tomar conta das crianças e pediu ajuda ao resto da Espanha e à União Européia.
O presidente regional, Adan Martín, afirmou que como as Canárias estão sobrecarregadas pela "avalanche" de imigrantes ilegais, é perigoso dar a seu governo a responsabilidade de criar e educar essas crianças.
Pela legislação espanhola, cabe ao governo canário se responsabilizar pelas crianças até que elas completem 18 anos.
'Distribuição'
Apenas neste ano, mais de 18 mil imigrantes ilegais conseguiram chegar ao arquipélago. Mas os centros de detenção locais têm capacidade para cerca de 5,5 mil pessoas.
Para tentar contornar o problema, o governo nacional transferiu milhares de imigrantes para outras regiões espanholas. Em Madri, os abrigos da Cruz Vermelha já estão lotados.
O Partido Popular, de linha conservadora, diz que o governo espanhol está "lavando as mãos" para o problema da imigração ilegal, ao enviar muitos dos africanos para regiões administradas pela oposição.
Mas Martín diz que as províncias que contestam essa política de distribuição simplesmente não entendem a situação.
"Essas pessoas não são imigrantes das Ilhas Canárias. São também da Espanha e da Europa", afirmou.