24 de agosto, 2006 - 09h26 GMT (06h26 Brasília)
Em artigo publicado nesta quinta-feira no International Herald Tribune, os especialistas Kevin Watkins e Anders Berntell abordam a questão da escassez de água neste século.
No texto intitulado “Um problema global”, os autores discutem os riscos que o mundo corre de enfrentar guerras por causa de escassez de recursos hídricos e os caminhos a se percorrer para minimizar o problema.
“A CIA (agência de inteligência americana), a consultoria PriceWaterhouseCoopers e, mais recentemente, o Ministério da Defesa britânico, todos levantaram o espectro de futuras “guerras por água”. Com a disponibilidade de recursos hídricos diminuindo no Oriente Médio, Ásia e África sub-Saariana, a questão segue e conflitos violentos entre países ficam cada vez mais prováveis”, diz o texto.
“Será que estamos indo para uma era de ‘hostilidade hidrológica’, onde rios, lagos e aqüíferos se transformarão em itens de segurança nacional, pelos quais valerá a pena entrar em guerra com países vizinhos?”
Afeganistão
Em editorial, o jornal americano The New York Times revela preocupação com os destinos americanos na guerra do Afeganistão. “Libertar o Afeganistão do Talebã foi um dos elementos cruciais da guerra global dos Estados Unidos contra o terror. Logo, o desencanto dos afegãos com o presidente pró-americano, Hamid Karzai, deveria ser preocupante”, diz o texto.
“Quase cinco anos depois das forças americanas terem ajudado a desalojar o governo do Talebã, que oferecia abrigo e campos de treinamento para Osama Bin Laden, não há nenhum sinal de vitória no Afeganistão, em grande medida pela descuidada guinada da administração Bush para o Iraque e de uma visão limitada na reconstrução econômica”.
O editorial culpa as fraquezas do governo de Karzai – como uma crescente corrupção - e o fracasso da reconstrução afegã como lacunas que o Talebã aproveita para aumentar a sua influência, mas argumenta que o presidente do país não tem como gerenciar o Afeganistão sem a ajuda internacional.
“Os americanos estão vendo a Guerra no Iraque como algo separado da Guerra contra o terrorismo causado pelo 11/9. A guerra no Afeganistão é e sempre foi parte essencial de uma luta maior. É por isso que é uma guerra que os Estados Unidos simplesmente não podem se dar ao luxo de não vencer.”
Irã
O Wall Street Journal Europe chama a atenção para a consolidação do Irã como potencia no Oriente Médio e conclama os Estados Unidos a percorrerem um caminho silencioso e diplomático para limitar os anseios do governo de Ahmed Ahmadinejad.
“É hora dos Estados Unidos buscar apoio em silêncio na Europa, Oriente Médio e Ásia para desenvolver planos de contenção de um Irã com armas nucleares. Longe de jogar a toalha ou abandonar a diplomacia em favor de recursos militares, organizar uma política de contenção agora levantaria dúvidas internacionais sobre o uso de Washington da diplomacia da ONU como prelúdio de uma pressão militar para troca de governo”, diz o artigo.
Ao contrário, a sugestão do Wall Street Journal é de que se convença o Irã de sua soberania e de que não haverá ameaças à sua segurança se ele desistir de apoiar ou realizar atos violentos contra outros países. Segundo o editorial, Teerã deveria ter razões para crer que não precisa de armas nucleares, e a oferta do Conselho de Segurança – endossada por todos os seus membros – já é o suficiente neste sentido.
Para o jornal, é hora de Washington exigir do Conselho de Segurança a “especificar que qualquer país violando a resolução que classifica países transferindo tecnologia atômica a terroristas como ameaça à paz internacional”. Para o jornal, “desde 2002, o Irã agiu cautelosamente quando as potências atuaram juntas”, mas “quando a resistência foi fraca, Teerã agiu agressivamente”. “Não é cedo demais para se impedir que o Irã aja fora de suas fronteiras”.
Terror na Europa
Em editorial, o diário espanhol ABC aborda o perigo que representa o terror em países europeus que não estão diretamente envolvidos em combates contra regiões onde agem grupos terroristas, e cita como exemplo o incidente ocorrido na Alemanha, na semana passada.
“O terrorismo islâmico não distingue. Detesta e teme todas as sociedades abertas, sem exceção. Por isso, dirige sua brutalidade contra todas elas e tentará atacá-las sempre que possa. Se alguma ainda não sofreu diretamente nenhum atentado, é porque não deu condições para isso”, afirma. “Mas a possibilidade para isso está aí”.
O atentado frustrado ocorrido na Alemanha é dado como exemplo de um evento que causou aflição em uma sociedade que até então julgava-se imune aos efeitos da guerra ao terror, citando o ministro do exterior alemão, Wolfgang Schauble, que descreveu a situação como “muito grave”.
“Toda a Europa está recobrando a consciência da grave situação que atravessa decido à existência de uma ameaça real, dentro e fora de suas fronteiras. É o momento de encontrar uma solução que seja capaz de conciliar a segurança com a mentalidade tolerante e liberal que sustenta a nossa liberdade. A solução é difícil, mas temos a responsabilidade de encontrá-la”.