24 de agosto, 2006 - 02h55 GMT (23h55 Brasília)
Marcia Carmo
de Buenos Aires
O ministro dos Hidrocarbonetos da Bolívia, Andrés Soliz Rada, pediu demissão nesta quarta-feira.
A saída de Soliz Rada prejudica a situação política do presidente Evo Morales e o projeto boliviano de nacionalização dos hidrocarbonetos.
Soliz Rada, principal crítico da Petrobras no país, liderava o processo de nacionalização do gás.
Minutos depois de receber a carta de demissão do ministro, Morales pediu a ele que continuasse no cargo.
Censura
O ministro renunciou depois de ter sido "censurado" pelo Senado boliviano, que discordou das explicações sobre a nacionalização. A constituição do país prevê que ministros censurados pelo Senado devem renunciar.
"Vende pátria, traidores do povo, assassinos, servidores das transnacionais", disse Morales sobre os senadores, de acordo com a imprensa boliviana.
Na carta de demissão, o ministro refere-se a Morales como "companheiro, irmão e amigo".
Em um dos três parágrafos do texto, ele diz: "nós dois sabemos que por trás da censura à minha pessoa, decidida pela maioria opositora no Senado, estão as forças que pretendem que a Bolívia volte à sua condição de semi-colônia dos centros do poder mundial, aliados às oligarquias que exploraram nosso povo durante 500 anos".
Soliz Rada não faz referência ao Brasil ou à Petrobras, mas sua censura, pouco antes do pedido de demissão, esteve diretamente ligada, de acordo com parlamentares da oposição, à nacionalização dos hidrocarbonetos - principal bandeira do seu ministério e do governo Morales.
A censura ocorreu após vários dias de tensão entre o ministro e parlamentares da oposição, que cobraram mais rapidez no processo conduzido por Soliz Rada.
Em depoimento no Congresso, Soliz Rada responsabilizou a Petrobras pelo atraso, já que a empresa brasileira não estaria aceitando ajustes no preço do gás, deixando a estatal boliviana YPFB sem recursos para administrar as empresas nacionalizadas.