O subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos, Thomas Shannon, disse nesta quarta-feira em Washington que o governo americano pode acabar com o embargo contra Cuba se o país promover reformas em direção à democracia.
Shannon disse que a proposta, feita pelo governo americano em 2002 e rejeitada pelo governo cubano na época, continua valendo. "Para nós a oferta continua na mesa", afirmou Shannon numa entrevista coletiva com jornalistas estrangeiros na capital americana.
A condição, segundo ele, é que o governo cubano adote um regime democrático, respeite os direitos humanos, legalize os partidos políticos e "crie um caminho" em direção a eleições democráticas.
O embargo, imposto em 1962, só pode ser modificado com aprovação do Congresso. Ele disse que o Executivo trabalharia junto com o Congresso para buscar maneiras de "aprofundar o relacionamento" com a ilha.
Fidel
Shannon disse que Fidel Castro "não parece estar em posição de retornar às tarefas do dia-a-dia que assumiu por tantas décadas".
Ele disse também que não acredita que o irmão de Fidel, Raul Castro, vai se tornar o líder supremo de Cuba.
O subsecretário americano afirmou que Cuba vive um momento de transferência de poder para instituições e não pessoas específicas, e que o poder deve se dividir entre várias pessoas, com Fidel atuando como o árbitro final.
Mas ele não mostrou intenção de retomar relações diplomáticas com Cuba sem que o país aceite as condições já oferecidas em 2002.
Shannon acha que a Venezuela pode desempenhar um papel importante neste momento. "Existe uma relação especial entre Venezuela e Cuba. E existe uma relação especial entre o presidente Hugo Chávez e o regime cubano", afirmou.
"A Venezuela tem a oportunidade de assumir um papel importante e útil no futuro de Cuba se o país escolher se associar com uma transição democrática, se escolher reconhecer suas obrigações da Carta Democrática Interamericana e se escolher promover e defender a democracia", afirmou.