20 de agosto, 2006 - 18h28 GMT (15h28 Brasília)
O Tribunal Criminal Internacional para Ruanda (ICTR, sigla em inglês) voltou a pedir para que o governo do Quênia se esforce para prender um suspeito do genocídio de Ruanda.
Felicien Kabuga era um rico empresário ruandês e dono da estação de rádio Mille Collines, que fazia campanha contra a minoria Tutsi durante a guerra civil do país.
Kabuga está foragido, mas acredita-se que ele esteja escondido no Quênia.
Na quarta-feira, Emmanuel Nteziryayo, outro acusado pelo genocídio foi descoberto vivendo na Grã-Bretanha com um nome falso.
Durante a guerra civil em Ruanda, cerca de 800 mil pessoas na etnia tutsi foram assassinadas por duas milícias radicais hutus.
10% da população do país foi morta durante os 100 dias do genocídio.
A Rádio Mille Collines estimulava abertamente que os tutsi fossem exterminados, bem como qualquer um que se dispusesse a ajudá-los.
"As baratas tutsi têm de ser exterminadas", dizia um dos locutores da rádio.
A atuação da rádio ficou tão célebre que até a Organização das Nações Unidas (ONU) cogitou uma operação para interromper o sinal que era transmitido pela emissora, mas o plano nunca foi posto em prática.
Neste ano, a ONG Repórteres sem Fronteiras denunciou a falta de liberdade de imprensa no país, reportando que autoridades ruandesas pressionam jornalistas para não fazer críticas ao governo.
O ICTR, que indiciou Kabuga em 1999, é sediado na cidade de Arusha, na Tanzânia e já condenou 28 pessoas ligadas ao genocídio.
A Justiça de Ruanda estuda a possibilidade de revogar a pena de morte por genocídio para que acusados dos crimes de 1994 sejam extraditados para o país.
Muitos países se recusam a extraditar os ruandeses acusados pelo genocídio por causa do risco de execução.