17 de agosto, 2006 - 11h25 GMT (08h25 Brasília)
Cientistas descobriram uma seqüência genética que passou por mudanças evolucionárias aceleradas nos humanos e pode explicar por que o cérebro humano é mais desenvolvido que o dos outros animais.
O estudo internacional, liderado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, usou computadores para comparar os genomas de chimpanzés, humanos e outros vertebrados para identificar quais elementos do genoma humano haviam passado por mudanças radicais ao longo dos milênios.
No topo da lista que foi feita pelos pesquisadores ficou a região genética chamada de HAR1, ativa no cérebro humano durante uma época fundamental em seu desenvolvimento: as primeiras semanas de vida dos fetos.
O gene atua em células nervosas chamadas Cajal-Retzius, que têm papel fundamental na formação da estrutura em camadas do córtex cerebral humano e no crescimento e formação das conexões entre os neurônios.
"A descoberta é muito interessante porque o córtex humano é três vezes maior que nos nossos predecessores. Alguma coisa fez com que nossos cérebros evoluíssem para ser muito maiores e ter mais funções que os cérebros de outros mamíferos", diz David Haussler, diretor do Centro de Ciência Biomolecular e Engenharia da universidade.
Macacos e galinhas
O estudo, publicado pela revista Nature, mostra que o HAR1 é essencialmente o mesmo em todos os mamíferos, exceto nos humanos.
Há apenas duas diferenças entre os genomas das galinhas e dos chimpanzés na seqüência HAR1 de 118 bases – as subunidades de DNA.
Isso significa que ela permaneceu a mesma durante centenas de milhões de anos de história evolucionária, uma indicação de que tem uma função biológica importante.
Mas em algum momento entre 5 milhões e 7 milhões de anos atrás, o HAR1 começou a mudar dramaticamente. "Encontramos 18 diferenças entre chimpanzés e humanos, o que representa uma mudança incrível para uns poucos milhões de anos", afirma Katherine Pollard, que liderou a pesquisa.
Os cientistas acreditam que este gene não apenas controla a produção de proteínas, como a maioria, mas tem um papel na modificação da função de outros genes.
"Nossa hipótese é que as mudanças ocorridas nos humanos preservaram a função geral da molécula, mas de alguma forma alteraram suas interações com outras estruturas. Essas diferenças podem ter alguma coisa a ver com o que faz que nosso cérebro seja diferente do de um chimpanzé", diz Sofie Salama, outra cientista que liderou o estudo.
Pesquisas que estão sendo feitas no momento podem levar a descobertas mais definitivas sobre as funções do HAR1 no desenvolvimento do cérebro humano.