16 de agosto, 2006 - 13h35 GMT (10h35 Brasília)
Países em desenvolvimento estão desperdiçando a chance de trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável quanto à conservação de água doce, alertou a organização de conservação ambiental WWF.
O Brasil, considerado como um líder mundial por seu plano de recursos aquáticos, permanece em posição ambígua, sugere o relatório.
"O Brasil tem liderado a América Latina e várias outras nações do mundo ao aprovar, em 2006, um plano de recursos aquáticos que, se implementado corretamente, ajudará a atender às demandas das populações carentes por água segura e adequada", afirma o documento.
"No entanto, ainda preocupam algumas propostas de construção de barragens, particularmente no rio Madeira, um dos principais afluentes do rio Amazonas."
Para o WWF, a implementação de até seis barragens ao longo do Madeira "não apenas interromperá o curso do rio, mas trará uma série de outras mudanças prejudiciais no uso da terra".
Lições do passado
A organização publicou nesta quarta-feira o relatório Países ricos, água pobre, às vésperas da Semana Mundial da Água, evento que será realizado em Estocolmo, na Suécia, de 20 a 26 de agosto.
Um dos alertas foi para que países em desenvolvimento não desperdicem a chance de "aprender com os erros do passado" cometidos pelos países ricos.
"Economias em rápido desenvolvimento têm a oportunidade de evitar os custos de reparação de ecossistemas de água doce prejudicados (por mau uso)", disse o diretor do programa de Água Doce do WWF, Jamie Pittock.
"Infelizmente, parece que a maioria dessas nações tem cedido à sedução de grandes planos de infra-estrutura, como grandes barragens, sem considerar adequadamente se esses projetos vão cumprir as demandas por água ou infligir custos humanos ou naturais."
O relatório lembrou que na China os custos humanos e ecológicos da construção da barragem no rio Yangtzé – que já elevou em dezenas de metros o nível das águas – geram preocupações na comunidade internacional.
Já na Índia, grande parte da agricultura está ameaçada pela crescente exploração dos recursos, disse o levantamento.