15 de agosto, 2006 - 21h03 GMT (18h03 Brasília)
Paulo Cabral
De Beirute
O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, prometeu solidariedade ao Líbano e toda a ajuda possível para promover a paz no Oriente Médio na visita oficial de um dia que fez nesta terça-feira a Beirute.
"O Brasil não tem nenhuma expectativa de ser o (principal) mediador de uma crise desta natureza. Agora achamos que por nossa experiência, mesmo internamente no Brasil, em resolver pacificamente as questões entre as comunidades, a gente tem condições de ajudar neste sentido", disse Amorim.
Mas nas três ocasiões em que falou com a imprensa depois dos encontros com as autoridades, a mesma pergunta se repetiu dos jornalistas locais.
Queriam saber se o Brasil vai enviar soldados para ampliação das Forças da ONU no Líbano que terão, junto com o exército nacional, a função de patrulhar o sul do país e desarmar o Hezbollah, de acordo com a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU.
"Não estamos discutindo esta possibilidade no Brasil. Há várias maneiras de auxiliar e nós devemos nos concentrar em ajuda humanitária. Acreditamos que há militares (de outros países) com experiência e disposição para assumir agora este papel", disse o ministro.
Camisas e Bandeiras
O chanceler Celso Amorim chegou pela manhã ao aeroporto de Beirute em um avião militar C 130, da Força Aérea Brasileira, um modelo com condições de pousar na pista danificada pelos bombardeios de Israel.
Amorim foi recebido pelo ministro de Relações Exteriores do Líbano, Fawze Sallukh, que o levou para um passeio de carro por umas das áreas mais destruídas de Beirute, o subúrbio xiita de Dahye.
"Vi várias pessoas vestindo camisetas do Brasil nas ruas, o que me deu mais uma prova da profunda ligação dos nossos países. Mas também vi em meio aos escombros camisetas e bandeiras do Brasil, o que me trouxe um momento de tristeza e choque", disse Amorim ao fazer declarações ao lado de Salukh após a visita.
O ministro libanês disse que o apoio do Brasil é importante porque o país tem canais abertos de diálogo com diversos países envolvidos neste conflito.
"O Brasil é mais do que uma nação amiga. É uma nação irmã e o apoio do Brasil é sem dúvida importante e muito valorizado", disse Sallukh.
O ministro Celso Amorim manteve encontros também com o presidente da república Emile Lahoud; com o primeiro-ministro Fuad Siniora; e com o presidente do Parlamento, Nabih Berri.
Israel
Amorim disse que o Brasil condena o "seqüestro" de dois soldados israelenses pelo Hezbollah mas que "condena com mais veemência" a reação israelense à ação do grupo xiita.
"Essa é nossa opinião e não podemos deixar de dá-la", disse Amorim.
Mas o ministro afirmou que o Brasil continua em bons termos com os israelenses e que, em breve, o enviado especial do Itamaraty para o Oriente Médio, embaixador Affonso Celso de Ouro-Preto, vai fazer uma visita ao país.
"O Brasil é amigo de Israel e é amigo do Líbano e dos outros países árabes. O que nós condenamos são ações e não países", disse.
O ministro diz que o Brasil acredita que a solução para o conflito entre Israel e o Líbano depende de um plano de paz mais amplo para todo o Oriente Médio.
"Sem discutir a questão palestina não há como resolver a crise entre Israel e Líbano. O Brasil apóia e sempre apoiou a existência do Estado de Israel mas também apóia a criação de um Estado para os palestinos em um território viável", disse.