03 de agosto, 2006 - 09h06 GMT (06h06 Brasília)
Documentos confidenciais obtidos pela BBC sugerem que uma guerra civil é o cenário mais provável no Iraque no médio prazo.
O diagnóstico foi feito pelo diplomata britânico William Patey, que deixou na semana passada o posto de Embaixador em Bagdá.
Para o embaixador, as tensões obedecem as fronteiras étnicas.
No documento, Patey ressalva que a situação não está totalmente fora do controle, mas que permanecerá “confusa e difícil” nos próximos cinco a dez anos.
“A perspectiva de uma guerra civil de baixa intensidade e uma divisão ‘de fato’ do Iraque é mais provável que uma transição bem sucedida e substancial para a democracia neste momento”, escreveu Patey.
“Mesmo as expectativas mais pessimistas do Presidente Bush para o Iraque – um governo que possa sustentar-se, defender-se e governar-se, e que seja um aliado na luta contra o terrorismo – deve permanecer em questão.”
Estado dentro do Estado
O documento toma o grupo libanês Hezbollah – considerado como “um estado dentro do Estado” – como exemplo do que é necessário evitar no Iraque.
“Se queremos evitar cair em uma guerra civil e na anarquia, é prioritário conter a (milícia) Jaish al-Mahdi (o Exército de Mahdi) e evitar que ela crie um estado dentro de um estado, como o Hezbollah no Líbano”.
O documento considera que os próximos seis meses, tempo em que o Iraque haverá testado seu novo plano de segurança, serão “cruciais”.
Para o correspondente da BBC Paul Wood, o documento é um “diagnóstico oficial devastador sobre as perspectivas para um Iraque pacífico, e contrasta com a retórica oficial”.
Segurança
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| Ataques milicianos contra civis têm sido comum |
O Ministério das Relações Exteriores britânico evitou comentar o documento.
“Todos os dias, aumenta a capacidade das forças de segurança iraquianas de garantir sua própria segurança”, afirmou, em nota.
“O processo de passar progressivamente a responsabilidade pela segurança já começou nas províncias iraquianas.”
Fontes militares disseram à BBC que esta é uma época de “tudo ou nada”. A partir da próxima semana, os Estados Unidos remanejarão parte de suas tropas para a capital iraquiana, Bagdá.
Tropas britânicas em Basra também devem apertar o cerco contra as milícias xiitas no país.
Na quarta-feira, o presidente iraquiano Jalal Talabani disse que até o fim do ano a polícia e as tropas iraquianas responderiam pela segurança em todo o país.