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02 de agosto, 2006 - 10h07 GMT (07h07 Brasília)

Exilados cubanos prevêem mudanças, diz CSM

A transição provisória do poder em Cuba não deve resultar no fim imediato do regime comunista na ilha, destaca o jornal americano Christian Science Monitor, mas acelera os planos dos exilados e de outros cubanos para um país pós-Fidel Castro.

Segundo o jornal, analistas prevêem que o governo comunista ainda pode durar anos sob a liderança de Raúl Castro, irmão de Fidel, que interinamente ocupa o poder, e que a oposição estaria esperando para ver o que vai acontecer.

"Analistas políticos afirmam que Fidel preparou o terreno para a transição para seu irmão tempos atrás. Acredita-se que Raúl conte com a lealdade do Exército cubano e da força interna de segurança. Mas eles dizem que, apesar de suas credenciais revolucionárias serem impecáveis, ele não conta com o mesmo carisma do irmão mais velho. E que não está claro como as lealdades internas vão se comportar, uma vez que Fidel não esteja mais no poder."

O CSM cita Frank Calzon, do Centro para Cuba Livre, em Washington, que afirma que um elemento chave da transição será a resposta do Exército cubano. "Será que algumas unidades vão se recusar a cumprir as ordens de reprimir aqueles que defendem mais liberdades na ilha?", pergunta.

Continuidade

Na Argentina, o jornal La Nación afirma que a transição em Cuba está longe do que houve na China ou na União Soviética.

"Seja ou não terminal a condição de Fidel Castro, a transição cubana já começou. Ninguém sabe, a esta altura, que classe de transição será, nem o quanto tardará, mas o simbolismo contido na passagem (de poder) para Raúl Castro basta para dizer-nos, com quase toda a segurança, que o meio século de governo de um único homem se concluiu", afirma o diário.

"O que vier agora não será a ditadura de Fidel Castro."

O jornal afirma que entre os dois cenários mais prováveis está o "fidelismo" sem Fidel - uma ditadura militar sob as ordens de Raúl Castro, já idoso e sofrendo de cirrose por causa do alccolismo. Neste caso, a verdadeira transição começaria após a morte de Raúl.

A outra e mais provável hipótese, prevê o La Nación, é uma luta de poder entre facções distintas.

Comércio

A doença de Fidel continua sendo destaque no jornal americano Miami Herald, que afirma nesta quarta-feira que as empresas que mantêm negócios com a ilha estão esperando para ver o que vai acontecer.

Segundo o jornal, empresas, bancos e advogados americanos, estão "espanando o pó dos planos de contingência para fazer negócios com a ilha".

De acordo com o Miami Herald, a maior parte das empresas prevê uma longa espera até que Cuba se abra à iniciativa privada e até que o embargo comercial americano seja suspenso.

"Mas algumas companhias acompanham os eventos de perto, em parte porque Raúl é visto por alguns como alguém mais propenso a considerar reformas e abrir a economia da ilha, fortemente controlada pelo Estado."

O jornal afirma ainda que a especulação sobre o futuro de Fidel e de Cuba está crescendo entre os exilados, e que líderes no exílio pediram aos dissidentes cubanos que dêem início a um movimento nacional de desobediência civil em protesto contra a transferência de poder para Raúl Castro.

Bush e Líbano

Sobre a crise no Oriente Médio, o jornal The New York Times desta quarta-feira afirma que o apoio do presidente americano, George W. Bush, a Israel mostra a distância entre sua política e a de seu pai.

Segundo o jornal, no primeiro encontro que teve com o então premiê israelense Ariel Sharon, em 2001, Bush disse que, se necessário, usaria a força para proteger Israel.

"Essa proteção a Israel representa a divisão filosófica e de gerações entre os Bush, que vem exacerbando a crescente fricção entre seus assessores de política externa."

Segundo o NYT, uma das principais diferenças é que o pai do presidente via seu papel no Oriente Médio como o de um árbitro na política delicada da região, enquanto Bush vê o seu papel sob o prisma da luta contra o terrorismo.

União sectária

No Líbano, o jornal Daily Star traz editorial afirmando que o país precisa de solidariedade para sobreviver à guerra, mas também tem que lucrar com a paz.

O jornal cita um encontro de clérigos muçulmanos e cristãos em Bkirki como um sinal encorajador de unidade entre as comunidades diante dos ataques que têm atingido as vidas de seguidores de todas as religiões em todo o país.

Os líderes religiosos apoiaram a proposta do governo para encerrar o conflito e evitar a recorrência, diz o jornal. "Que eles o tenham feito inspirou muitos libaneses com esperança pelo futuro. O fato de esta ser a primeira reunião deste tipo em mais de uma década demonstra quanto de trabalho ainda precisa ser feito."

Segundo o editorial do Daily Star, esta união pode significar uma oportunidade para se fortalecer uma identidade libanesa que transcenda as fronteiras sectárias.