02 de agosto, 2006 - 10h23 GMT (07h23 Brasília)
A passagem temporal do poder na ilha de Cuba será apenas “mais do mesmo”, nas palavras do porta-voz oficial do governo americano.
“O fato de que você tem um autocrata passando o poder a seu irmão não marca o fim de uma autocracia”, expressou Tony Snow, no briefing concedido à imprensa na Casa Branca.
Ele acrescentou que o bloqueio econômico dos Estados Unidos à ilha, que já dura quase meio século, permanecerá intocado.
“A tentativa de Raúl Castro de se impor ao povo americano é mais do mesmo que já havia feito seu irmão.”
Bush
O secretário de Comércio americano, Carlos Gutiérrez, disse que os Estados Unidos proverão “ajuda em termos de alimentação e saúde, recuperação econômica e eleições livres e justas” uma vez que Cuba entre em um processo de transição política, algo que por ora é apenas hipótese.
Em discurso feito em um centro de estudos em Washington, no entanto, o cubano radicado americano afirmou que “os Estados Unidos e seus cidadãos não representam ameaça à segurança ou aos lares do povo cubano”.
Segundo ele, Bush “reconhece que Cuba pertence ao povo cubano e que o destino do país está nas mãos dos cubanos”.
Ainda assim, Gutiérrez sublinhou que os Estados Unidos vão “desencorajar terceiros a obstruir o desejo do povo cubano”, um termo que ele negou ser uma referência indireta ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, o principal aliado de Cuba na região.
No mês passado, o governo Bush aprovou um plano de US$ 80 milhões para promover o fim do regime iniciado por Fidel Castro.
O presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón, considerou “inaceitável” que Washington estivesse discutindo abertamente o que chamou de formas de derrubar o governo de um país soberano.