01 de agosto, 2006 - 18h46 GMT (15h46 Brasília)
Fernando Ravsberg
de Havana
Mesmo antes da recente cirurgia, com a idade avançada do líder cubano, Fidel Castro, já se falava na eventual sucessão dele. O candidato mais óbvio é o irmão mais novo e braço-direito do comandante, Raúl Castro.
O ministro da Defesa e chefe das Forças Armadas cubanas, de 75 anos, que assumiu o poder interinamente depois da internação de Fidel por problemas gastro-intestinais, sempre gravitou na sombra do irmão revolucionário.
De fato, Raúl pode se considerar um socialista mais antigo do que Fidel, que inicialmente se definia como um nacionalista. A parceria deles remonta os primórdios da Revolução Cubana, em 1950.
Em 1953, ao lado de Fidel, ele invadiu o quartel de Moncada, uma tentativa de enfraquecer o governo de Fulgêncio Batista, mas a operação deu errado, ele foi preso e condenado a 13 anos de prisão.
Libertado, depois de 22 meses de prisão, busca o exílio no México, e acaba voltando a bordo do iate Granma e é um dos poucos a sobreviver o desembarque na costa cubana.
De lá, passa à luta armada nas montanhas de Sierra Maestra, onde conhece a sua esposa, a guerrilheira Vilma Espín.
Alguns dizem até que o irmão mais novo defende uma linha mais dura. Nos primeiros meses da revolução, ele teria até se mantido fora do holofotes, porque muitos acreditavam que as convicções dele eram mais difíceis de serem aceitas.
Sucessor
Chefe das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) desde a sua criação, em 16 de outubro de 1959, 38 anos depois Raúl acabou sendo nomeado sucessor da presidência.
Em outubro de 1997, o Partido Comunista cubano nomeou Raúl sucessor do líder. A decisão foi saudada pelo irmão mais velho com as seguintes palavras:
"Raúl é mais jovem que eu, tem mais energia. Ele pode contar com muito mais tempo", disse Fidel.
Raúl nasceu em 1931, na província de Holguin, no leste cubano, o mais novo dos três filhos de Ángel Castro e Lina Ruiz.
O irmão mais novo de Fidel estudou em uma escola em Santiago e depois foi à universidade em Havana, onde entrou para um grupo de estudantes comunistas.
Depois dos anos de guerrilha, as FAR cresceram e se transformaram em um Exército de 50 mil homens, que auxiliou as forças soviéticas nos conflitos de Angola e da Etiópia, nos anos 70.
As forças armadas cubanas foram fundamentais para sustentar a combalida economia do país depois da queda da União Soviética, em 1991.
A agência de turismo Gaviota é um braço da corporação, que hoje desempenha um papel vital para Cuba.
Além de estar à frente da pasta da Defesa e de ser o chefe do Exército, Raúl Castro é o primeiro-vice-presidente do Conselho de Estado, ou seja, o sucessor oficial de Fidel, e vice-secretário do Politburo e do Comitê Central do Partido Comunista.
Mesmo assim, Raúl já deu sinais de que, caso venha a assumir o poder definitivamente, deve adotar um esquema de liderança coletiva através do partido, que já estaria sendo fortalecido para isso.