27 de julho, 2006 - 10h30 GMT (07h30 Brasília)
O jornal britânico Daily Telegraph estampa em sua capa a manchete: "Cresce pressão sobre Blair por cessar-fogo no Líbano".
O texto cita uma pesquisa do instituto YouGov, que mostra que 53% dos britânicos classifica o desempenho do governo Blair na crise do Líbano como ruim ou péssimo. No mesmo quesito, 60% dos britânicos avalia como ruim ou péssima a maneira como o governo americano conduziu a crise.
Um total de 64% dos britânicos acredita que "Tony Blair dá a impressão de se aliar aos americanos em qualquer circunstância".
De acordo com o jornal, as conclusões da pesquisa "põem pressão sobre Blair para que ele peça por um cessar-fogo imediato quando se econtrar amanhã (sexta-feira) com George W. Bush, em Washington.
A pesquisa traz também as opiniões dos britânicos sobre as políticas israelenses. Um total de 54% acredita que os ataques de Israel irão fortalecer o apoio dado no mundo árabe a organizações militantes como o Hezbollah. Um total de 55% acredita ainda que Israel estará sujeito a sofrer novos ataques dentro de 10 ou 15 anos. A grande maioria dos britânicos, 71%, acredita ser impossível destruir de uma vez por todas os grupos militantes.
Rodada de Doha
O americano New York Times afirma em editorial que "é difícil dizer quem tem mais culpa pelo fracasso da Rodada de Doha, os Estados Unidos ou a Europa".
"Com a Casa Branca tensa e de olho nas eleições para o Congresso e com o presidente Jacques Chirac, da França - cujos fazendeiros estão entre os mais mimados do mundo - tenso e atento aos seus índices nas pesquisas, os lobbies agrícolas mais uma vez levaram a melhor", afirma o jornal.
Mas o jornal acrescenta que "Brasil e Índia, que se dizem defensores dos pobres, não ajudaram, ao se recusarem a abrir seus crescentes mercados".
Segundo o jornal, com o fracasso das negociações para liberalização do comércio mundial, ninguém ganhou.
"Os países desenvolvidos não se beneficiam de uma maior liberalização comercial em serviços e bens manufaturados. Os países pobres não irão competir com seus bens. E a economia mundial, que cresce mais rapidamente a medida que o comércio se expande, poderá estancar - ainda mais se governos optarem por guerras comerciais em vez de acordos para resolver suas diferenças", comenta o jornal.
EUA e Mercosul
O diário argentino La Nación traz reportagem sobre como os Estados Unidos viram as negociações realizadas na recente cúpula do Mercosul, na cidade argentina de Córdoba.
O jornal traz entrevista com Otto Reich, que foi sub-secretário para a América Latina no primeiro mandato do governo Bush, considerou que a "reunião não rendeu frutos" e que "o prejudicado foi (o presidente argentino Néstor) Kirchner, que deu espaço a Chávez e a Castro, e permitiu que eles convertessem a reunião em um show personalista, a ponto de a imprensa internacional nem ter noticiado o encontro".
De acordo com Reich, Kirchner deveria "se associar menos com a esquerda ridícula de Chávez e Castro e mais com a esquerda séria do continente", em referência segundo o jornal, à presidente do Chile, Michelle Bachelet, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.