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17 de julho, 2006 - 12h56 GMT (09h56 Brasília)

Decisão de promotoria revolta família de Jean

Os primos do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia de Londres em julho do ano passado, se declararam 'indignados' com a decisão da promotoria de não indiciar nenhum dos policiais envolvidos no caso.

A decisão da Promotoria Pública Britânica foi anunciada nesta segunda-feira, em Londres.

"Considero isso uma falta de respeito muito grande. O poder aqui realmente não tem vergonha. Estou enojada", disse Vivien Figueiredo, prima de Jean Charles.

A investigação da promotoria concluiu que havia condições de indiciar a polícia apenas por ter violado leis de segurança e sanitárias. Nesse caso, a instituição será processada, mas não policiais individualmente.

Veja fotos de Jean Charles de Menezes

A família vinha lutando para que tanto os dois policiais que dispararam os tiros que mataram Jean Charles como o chefe da polícia londrina, Ian Blair, fossem processados.

Vivien considerou a conclusão da análise da promotoria "uma vergonha". "Usando essa (violação da) lei para encobrir o erro deles, eles estão tratando meu primo como um animal morto", disse ela.

"Essas pessoas querem encobrir a culpa deles de qualquer forma. Em nenhum momento eles estão considerando que a vida do meu primo foi tirada", disse.

Patrícia da Silva Armani, também prima de Jean Charles, considerou a decisão da promotoria "uma estratégia para que esse caso não chegue a uma conclusão".

"Faz quase um ano que o crime aconteceu, e eles sempre vêm com as justificativas mais esfarrapadas", disse ela. "Deveriam ter mais respeito com a vida de um ser humano."

Shami Chakrabarti, diretora da Liberty, entidade que luta pela defesa de direitos civis, disse à BBC lamentar que até agora ainda não houve uma discussão pública sobre a política de atirar para matar, que acabou vitimando o brasileiro.

Segundo ela, um ano depois da morte de Jean Charles o grande público na Grã-Bretanha continua sem conhecer os parâmetros usados pela polícia no seu combate a possíveis militantes suicidas, como os que mataram 52 pessoas em Londres no ano passado.

Polícia

A polícia de Londres emitiu um comunicado dizendo "lamentar profundamente" a morte de Jean Charles e que já pediu desculpas publicamente e em particular à sua família.

"Apoiamos a decisão da promotoria de não indiciar criminalmente nenhum policial por causa dos eventos de 22 de julho (de 2005). Estamos felizes por eles e suas famílias", disse a nota.

Mas a polícia londrina se declarou "preocupada" com a decisão da promotoria de processar a polícia, como instituição.

"No entanto, estamos preocupados e claramente desapontados com a decisão de indiciar a polícia por falhas no cumprimento das leis de segurança e sanitárias.”

“Policiais envolvidos no combate ao terrorismo operam em um dos ambientes mais difíceis e merecem nosso apoio total."

A polícia disse que sua tática contra a ameaça de homens-bomba é legítima "na falta de uma alternativa viável" e vai continuar em vigor.