11 de julho, 2006 - 21h16 GMT (18h16 Brasília)
Denize Bacoccina
De Brasília
A elevada rejeição aos candidatos da oposição à presidência, apontada na pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira, surpreendeu até mesmo analistas políticos. Entre maio e julho, a rejeição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu de 34,7% para 32,4%.
Os candidatos de oposição também tiveram queda entre maio e julho, mas os índices continuam elevados.
Pelos dados recolhidos, 35,8% dos eleitores disseram que não votariam no candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, “de jeito nenhum”. A rejeição à candidata ao PSOL, Heloísa Helena, é de 46,4%, enquanto o candidato do PDT, Cristovam Buarque, tem rejeição de 45,3%.
O diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, disse que o presidente Lula registrou o pior índice de rejeição no ano passado, na época do escândalo do mensalão, quando mais de 40% dos eleitores diziam que não votariam para reeleger o presidente de jeito nenhum. Desde então, vem recuperando seus índices de popularidade ao mesmo tempo em que cai a rejeição.
'Colchão amortecedor'
“De uma hora para outra o eleitorado passou a avaliar os aspectos econômicos e isso está servindo de colchão amortecedor do presidente Lula”, afirmou Guedes. “O eleitor está analisando esta eleição com o bolso”, diz ele. De acordo com a pesquisa CNT/Sensus, 41% dos ouvidos avaliam o atuação do presidente como positiva, o maior índice desde abril do ano passado.
Neste raciocínio, segundo Guedes, o eleitor avalia que é melhor ficar com um candidato conhecido que está melhorando os indicadores econômicos do que um candidato desconhecido. “Dos 44% que dizem que vão votar no Lula, boa parte não votaria em outro candidato de jeito nenhum”, analisa.
Ele diz que uma rejeição superior a 40% indica que o candidato está fora da disputa, porque com o desconto dos 20% de abstenção, nulos e brancos, é impossível ter a maioria dos votos.
A pesquisa CNI/Ibope, divulgada no fim do mês passado, também mostra uma rejeição ao candidato Lula (28%) menor do que dos outros candidatos.
Pelo que foi apurado, 34% não votariam de jeito nenhum em Alckmin, 36% não votariam em Heloísa Helena e 29% não votariam em Cristovam Buarque.
Só a pesquisa DataFolha, também divulgada no fim de junho, mostra um cenário diferente: aponta a rejeição de Lula em 31%, maior do que Alckmin (19%) e de Heloísa Helena (21%).
'Polarização'
“É surpreendente, porque geralmente o candidato que está no governo tem um índice de rejeição maior do que a oposição”, diz o cientista político Leonardo Barreto, professor da Universidade de Brasília (UnB). Para ele, a rejeição ao candidato do PSDB deve-se à polarização da eleição entre ele e Lula e não necessariamente a uma crítica ao candidato em si.
“Vejo duas explicações: ou as pessoas rejeitam porque não conhecem, ou porque já decidiram votar no Lula e não vêem a possibilidade de mudar”, diz Barreto.
Na intenção de voto, a pesquisa repete o resultado das pesquisas Datafolha e CNI/Ibope divulgadas nas últimas duas semanas, que mostram crescimento do candidato Geraldo Alckmin, sem roubar votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que continua liderando e pelo retrato atual venceria a eleição no primeiro turno.
A pesquisa CNT/Sensus aponta o presidente Lula com 44,1% das intenções de voto. Descontados os 20% de votos nulos, brancos e indecisos, o percentual é suficiente para reeleger Lula já no primeiro turno. Geraldo Alckmin tem 27,2% das intenções de voto, 6,9% mais do que na pesquisa anterior, em maio.
Os outros candidatos continuam em patamares muito baixos: Heloísa Helena (PSOL), tem 5,4%, Cristovam Buarque (PDT), 1,4%, Ana Maria Rangel (PRP), 1,2%, Rui Costa Pimenta (PCO), 0,3%, José Maria Eymael (PSDC), 0,3%, Luciano Bivar (PSL), 0,3%. A pesquisa foi registrada no TSE com o número 10.382/2006.