08 de julho, 2006 - 21h40 GMT (18h40 Brasília)
Desde o início do jogo, o empenho e a determinação dos jogadores de Alemanha e Portugal mostravam que as duas seleções queriam deixar a Copa com a compensação de um honroso terceiro lugar.
Os dois times fizeram um jogo de muita movimentação, com as chances de gol se sucedendo para os dois lados.
A Alemanha entrou em campo com o goleiro Oliver Khan como titular e capitão da equipe.
Ídolo da torcida e eleito melhor jogador da Copa de 2002, Khan foi barrado pelo técnico Jürgen Klinsmann durante o Copa. No seu lugar, Klinsmann escalou o goleiro do Arsenal de Londres, Jens Lehmann. Mas na partida deste sábado Khan recebeu sua "justa homenagem", como disse Lehmann.
Mas o grande desfalque alemão foi o meia Michael Ballack, contundido no joelho, não pôde participar da grande festa preparada pela torcida alemã que lotou as arquibancadas do estádio Gottlieb-Daimler, em Stuttgart.
Do lado português, o técnico Luiz Felipe Scolari manteve no banco o meia Figo, que tinha anunciado que esta seria sua última partida com a camisa da seleção portuguesa.
Outros desfalques foram os zagueiros Miguel, contundido, e Ricardo Carvalho que cumpria suspensão automática por ter recebido o segundo cartão amarelo na semifinal contra a França.
Jogo
Empurrada por sua torcida, a Alemanha tomou a iniciativa do ataque e imprensou Portugal em seu campo de defesa.
Jogando em velocidade, a dupla de frente, Lukas Podolski e Miroslav Klose davam trabalho à zaga portuguesa que mostrava o desentrosamento pela ausência dos dois titulares.
Mas aos 15 minutos de jogo Portugal já conseguia impor seu toque de bola. Comandados por Deco, o time português envolvia a seleção alemã.
Aos 16 minutos, o ponta-esquerda Simão Sabrosa deu um excelente passe para Pauleta colocando o atacante à frente do goleiro Khan. Com um chute fraco Pauleta desperdiçou mais uma chance neste Mundial facilitando a defesa de Khan.
Aos 20, foi a vez da Alemanha forçar a defesa portuguesa. De fora da área o meia Sebastian Kehl tentou encobrir Ricardo, obrigando o goleiro a se esticar para tocar a bola com a ponta dos dedos para corner.
Portugal dominou o jogo no primeiro tempo, mas a equipe de Felipão não conseguiu marcar nem tampouco neutralizar o ataque alemão que continuava a levar perigo ao gol de Ricardo.
Segundo tempo
No segundo tempo, Felipão mudou o meio-campo, colocando Petit no lugar de Costinha.
A Alemanha passou a ter o domínio das jogadas e logo aos 11 minutos, o meia Bastian Schweinsteiger chutou forte de fora da área, o goleiro Ricardo falhou ao ter a defesa com apenas com a mão esquerda e não conseguiu segurar. A Alemanha abria o placar para delírio dos torcedores, do técnico e do banco de reservas.
Cinco minutos depois, o mesmo Bastian Schweinsteiger cobrou forte uma falta na meia esquerda, o volante Petit tentou cortar - a bola iria nitidamente para fora - e acabou acertando o próprio gol. A Alemanha ampliava a vantagem e obrigava o time português a partir para o tuto ou nada.
Comandados pelo excelente toque de bola do meia Deco, o time de Felipão foi para o ataque tentar diminuir a vantagem alemã.
Aos 25 minutos, vendo que seu ataque não conseguia furar o bloqueio alemão, Felipão tirou o lateral-esquerdo Nuno Valente, colocando em seu lugar o atacante Nuno Gomes.
Cinco minutos depois, Felipão reforçou ainda mais o ataque português, colocando Figo no lugar do inoperante Pauleta.
Mas foi a Alemanha que voltou a marcar e novamente através de Schweinsteiger, com mais um chute forte de fora da área, para nova falha de Ricardo.
O placar dilatado com menos de 15 minutos para o final do tempo regulamentar desanimou o time português.
Mas, como que para marcar a despedida de Figo com uma nota positiva, o time de Felipão conseguiu diminuir a diferença com um gol a dois minutos do final.
Numa jogada iniciada por Deco no meio-campo, Figo recebeu na direita e fez um cruzamento perfeito a meia altura para a área, completado para as redes sem dificuldade por Nuno Gomes de cabeça.
A vitória garantiu o terceiro lugar à equipe alemã e consolidou a euforia dos torcedores com o técnico Klinsmann que deve continuar no comando da seleção.
Para Portugal, o consolo de ter chegado a sua segunda semifinal de uma Copa do Mundo e para Felipão a certeza de que conseguiu levar o time de Portugal muito além do que a capacidade individual de seus jogadores sugeria que conseguiria.