07 de julho, 2006 - 15h02 GMT (12h02 Brasília)
Indicadores de um estudo da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostram uma desaceleração do crescimento brasileiro para os próximos seis meses.
O relatório, que analisa os indicadores principais compostos (CLI, sigla em inglês) das economias de diversas partes do mundo para o próximo semestre, mostra o Brasil com uma queda de 1,3% nesses índices pelo terceiro mês seguido.
“Os números brasileiros foram prejudicados principalmente por tendências negativas nos preços de ações, na produção industrial de bens semi e não duráveis e nas exportações”, disse Ronny Nilsson, porta-voz da OCDE.
Para os 29 países industrializados que compõem a OCDE, o indicador geral subiu em 0,1% em relação ao mês de maio, embora a taxa de crescimento semestral tenha caído pelo segundo mês consecutivo.
Séries irregulares
Os números negativos que o Brasil experimenta contrastam com evoluções nas previsões de economias como Índia e Rússia, que tiveram crescimentos de 1,1% e 1,2%, respectivamente. A China mostra uma variação positiva de 0,2%.
Contudo, Nilsson alerta para o fato de que a tendência de queda na previsão brasileira precisa levar em conta que a série de previsões para o Brasil não é regular.
“Observando os gráficos, é possível ver que os números do Brasil são sujeitos a grandes variações”, afirmou Nilsson.
O estudo foi lançado duas semanas depois que o diretor do Fundo Monetário Internacional previu crescimento de 5% na economia global neste ano e em 2007, revisando números anteriores de 4,9% neste ano e 4,7% no próximo ano – apesar das elevações dos preços do petróleo neste ano.
Os países de economias desenvolvidas de uma maneira geral têm “expansão moderada” prevista, segundo os números do relatório.
Alerta
O CLI serve como um alerta antecipado para momentos de mudança entre ciclos de expansão e de recessão na atividade econômica.
Uma queda de um mês para o outro, como o que ocorreu com o Brasil, pode significar que a direção da economia está mudando e que uma desaceleração pode ocorrer.
A OECD, que tem 30 países-membros, é criticada por alguns por ser um "clube de ricos" e está sob pressão para permitir a entrada de novos integrantes.
A organização deu um passo nesta direção na semana passada, quando decidiu simplificar suas regras para evitar problemas quando tiver mais membros.
Cerca de 16 países, incluindo Rússia e Israel, pediram para fazer parte da OCDE, mas a organização não deve convidar novos integrantes depois de uma reunião de ministros em maio de 2007.