Diego Toledo
Enviado especial a Munique
Apesar do abatimento e da decepção pela derrota por 1 a 0 para a França, nas semifinais da Copa do Mundo, o técnico Luiz Felipe Scolari e os jogadores da seleção de Portugal utilizaram a mesma palavra para descrever o sentimento da equipe: orgulho.
“Tenho orgulho de estar junto desses atletas”, afirmou Scolari. “Somos uma equipe que ninguém apostava estar entre os quatro (semifinalistas). Chegamos e poderíamos ter ido à final.”
“Os meus atletas tentaram tudo, mas não foi possível”, acrescentou o treinador. “São atletas maravilhosos, dedicados e que buscaram chegar à final. Não conseguimos, mas só tenho a agradecer pelo esforço deles.”
O tom do discurso do comandante brasileiro foi repetido pelos jogadores portugueses. Ao mesmo tempo em que lamentavam a derrota para a França, todos destacavam a maneira como a equipe lutou para tentar reverter o resultado da partida.
“Saímos tristes porque queríamos chegar à final, mas não foi por falta de vontade, de lutar, que não conseguimos”, disse o meia brasileiro naturalizado português Deco. “É um orgulho poder jogar pela seleção de Portugal.”
“Foi o destino”, afirmou o capitão português Luís Figo. “Infelizmente, não conseguimos derrotar a França e, nesse momento, estamos muito decepcionados. Mas, ao mesmo tempo, orgulhosos por pertencer a este grupo de trabalho.”
Terceiro lugar
No próximo sábado, Portugal enfrentará a Alemanha, em Stuttgart, na disputa pelo terceiro lugar na Copa. A partida deve ser o último jogo de Figo com a camisa da seleção portuguesa.
Aos 34 anos, o meia não confirmou se vai mesmo se despedir da seleção e disse apenas que jogará “ao menos uma partida mais” por Portugal. De acordo com o meia, os portugueses terão que tentar esquecer a derrota contra a França para vencer os alemães.
Para os outros jogadores, o desafio será encontrar motivação para brigar pelo terceiro lugar. “Eu sei que é gratificante, mas, para nós que queríamos chegar à final, é sempre difícil”, admitiu Deco.
Na opinião do jovem atacante Cristiano Ronaldo, a boa campanha dos portugueses na Copa e o “orgulho” que a equipe diz sentir são motivos suficientes para a seleção de Portugal entrar em campo no sábado determinada a vencer.
“Trabalhamos sempre muito bem, dignificamos o nome do país, mas ainda queremos chegar ao terceiro lugar”, afirmou o jogador.
Mister Felipão
Scolari reconhece que a derrota para a França abalou o ânimo dos portugueses, mas diz esperar que o pouco tempo que resta até a partida de sábado seja suficiente para que os jogadores esqueçam a frustração.
“Vamos deixar passar toda essa melancolia”, disse o brasileiro. “A partir de quinta, vamos refazer o grupo, porque ainda temos um objetivo. Conseguir um terceiro lugar é muito interessante.”
O treinador repetiu mais uma vez que só depois da Copa decidirá se continua ou não no comando da seleção portuguesa. A maioria dos jogadores, incluindo o capitão Figo, apóia a permanência de Scolari.
“Deus queira que o mister fique conosco. É o que nós pedimos”, disse o goleiro Ricardo. “Sem dúvida, espero que ele continue. Ele fez um trabalho fantástico e nós todos gostamos dele”, reforçou Deco.
Tanto Ricardo como Deco foram duas das maiores apostas do treinador na seleção portuguesa. Quando assumiu o cargo, Scolari enfrentou críticas por deixar o goleiro Vítor Baía fora da equipe e por convocar o brasileiro naturalizado português.
Mais tarde, durante a Eurocopa de 2004, disputada em Portugal, Deco e Ricardo foram duas das peças mais importantes da equipe portuguesa, que acabou como vice-campeã do torneio.