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06 de julho, 2006 - 08h06 GMT (05h06 Brasília)

Rojão Francês

Minha primeira vez foi maravilhosa.

No sobrio e impecável hotel Gontijo, em Belo Horizonte, por volta de meio-dia.

Uma euforia incontível, um jorro de adrenalina e outras químicas, abraços apertados, lágrimas de felicidade.

Estou falando da minha primeira Copa do Mundo, em 58, pelo rádio.

O hotel era do meu querido tio Antonio, pai do "irmão primo" Ricardo.

Nosso grupo de adolescentes ouvia a final Brasil-Suécia no saguão do hotel junto com dezenas de hóspedes, na maioria prósperos fazendeiros e comerciantes sentados em confortáveis cadeiras ao longo da parede.

A entrada, da calçada para o lobby, era enorme e nós estávamos no lado de fora quando veio o quinto definitivo do 5 a 2 que nos deu a primeira copa.

Tio Antonio, generoso nas comemorações, tinha comprado uma caixa de rojões, aqueles super-foguetes juninos que disparavam três bombas do tipo cabeça de negro que acordavam o bairro inteiro e enloqueciam a cachorrada: BUM! BUM! BUM!

Um empregado do hotel distribuiu os rojões e eu, muito voraz, apontei dois de uma vez para o céu. O empregado acendeu os pavios.

O da direita explodiu primeiro e o pavio, ainda aceso, voou do foguete e caiu em cima do meu braço esquerdo, queimando. Numa reação rápida e impensada, tentei apagar o fogo com a mão direita e abaixei o braço esquerdo que segurava o outro foguete.

O disparo foi direto para dentro do saguão lotado do hotel. Alguém ainda gritou -"olha o rojão".

Num recinto fechado, as explosães ensurdecedoras vinham seguidas daquele zumbido - tuiimm tuiimm tuiimm - dentro do ouvido. A correria, o pavor e, depois, o alívio. Nem mortos nem feridos.

O rojão francês também não matou nem feriu mas, como doeu.